Blitz'wyk Vex

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Blitz'wyk Vex

Mensagem por Vinicius Marinho em Qui Jul 27, 2017 3:19 am

AS CRÔNICAS DE BLITZ’WYK VEX





Até o momento, minha vida foi difícil pra caralho. Não nasci em berço de ouro, recheado das mantas quentes e uma mãe cuidadosa e amorosa. Nada de profecias ou esperanças – com muito otimismo, eu demoraria mais do que duas décadas antes de me explodir acidentalmente.

Eu nasci para servir mestres maiores e mais fortes, e nunca fui indagado sobre o que eu queria fazer. Vi a luz, pela primeira vez, aos sete anos de idade – quando saí do buraco em que os mestres hobgoblins nos obrigavam a viver.

Não espere uma história eloquente, onde meu pai é um grande vilão e minha mãe uma daquelas sábias senhoras que guiam seus filhos com clareza. Eu passei a maior parte da vida em um grande emaranhado de merda, e quando tentei mudar, só jogaram merda em mim.

Eu não conheci meu pai – me contaram que ele se explodiu numa emboscada a uma caravana. Não tenho certeza de quantos irmãos eu tive, mas minha mãe foi vendida pouco tempo depois de eu nascer.
Não sou um expoente físico da minha raça. Não que goblins sirvam para algo além das vilanias de praxe, mas eu realmente não sou um bom exemplo. Pelo contrário, entre os meus, eu sempre fui o mais esperto – e, provavelmente por isso, o principal alvo de surras e brincadeiras.

Nos primeiros anos eu servi, como todos os demais. Matei, roubei e mutilei inocentes. Não gosto de lembrar daqueles dias – imagine a vida padrão de um goblin qualquer e você vai ter uma breve ideia do que eu era.

Acho que tinha uns dezenove anos quando um gigante da colina invadiu o assentamento. Ele matou todos os hobgoblins, e levou vários de nós em sua enorme bolsa, para uma caverna fedorenta e suja.

Por um lado, eu parei de limpar latrinas dos mestres e ser violentado todos os dias. Por outro, passei a servir comida a um ser cuja fome era insaciável.

Não se engane, meu chapa, eu já estava acostumado. Mas aquela brincadeira... ah, aquela maldita gincana foi o meu limite. Certo dia, num dos raros momentos de satisfação glutona, os gigantes começaram a competir entre si – primeiro, qual deles conseguia colocar mais pedras dentro da boca sem engolir. Depois carniça. Então, galinhas. E, por fim, goblins.

Durante trinta longos minutos eu lutei para não sufocar. O odor da boca da criatura era inimaginavelmente insuportável. Eu decidi que não dava mais – eu tinha receio de me perder e ser hostilizado no mundo lá fora, mas seria pior sobreviver como um animal.

Fugi. Assentei-me em Waterdeep. Morei no sótão de uma biblioteca. Era óbvio que a desconfiança sobre um goblin era imensa. Por muito tempo, os livros foram minha companhia, na solidão da desconfiança da cidade grande.

Por vezes, fingia ser o servo de um comerciante, mas nem isso era suficiente para obter o mínimo de respeito. Não consegui emprego de jeito nenhum – e a solução que encontrei foi roubar para sobreviver.
Não me leve a mal, eu realmente tentei seguir as regras. Por meses observei ferreiros trabalhando para aprender alguma coisa – apenas para receber um imenso “não” quando lhes pedia trabalho. Eu sequer queria um soldo: pão, água, um cobertor, uma latrina e companhia eram todas minhas exigências. Ainda assim, a cor da minha pele e o estigma da minha raça falavam mais alto.

No começo, eu furtava apenas comida. Depois algumas joias, que troquei por roupas e equipamento. Anos se passaram, e eu já estava aceitando contratos para furtar para terceiros.
É óbvio que eu fui preso. Talvez, se tivesse apenas sido condenado pelos meus crimes, ainda estivesse na cidade. Mas a justiça não socorre um verme como eu.

Cnaeus, filho do famigerado mercador de vinhos Ganimedes, era um desgraçado. Envolvido em todo tipo de contrabando, assassinato, corrupção e crimes que você puder imaginar. O filho da puta foi preso, acusado de estuprar e matar uma prostituta.

Os homens do pai dele me capturaram e me acusaram – não só do estupro, mas de vários crimes que poderiam ser vinculados ao rapaz. Não recebi punição por nenhum dos crimes que cometi, mas para salvar o pescoço de um imbecil da forca.

A condenação veio fácil – eu sou um goblin. O mero fato de ser quem sou depôs contra mim. A pior parte foi a tortura. Violentaram meu corpo até que eu não conseguisse mais pensar direito. Eu confessei tudo, deixei que me culpassem por todas as coisas – só queria que a dor parasse.

Cumpri anos de sentença. Teria cumprido uma vida inteira de pena, mas as acusações e a sentença criaram sobre mim uma fama sombria.

Quando meu nome foi esquecido nas tavernas locais, senhores do crime, travestidos de afortunados comerciantes passaram a me procurar. Forjaram minha morte e me tiraram das masmorras.

Eu trabalhei para eles. De novo, eu era um escravo de gente mais poderosa do que eu. De novo eu era um animal, e meu corpo uma ferramenta. Será essa a sina inevitável de minha raça? É impossível viver em justiça, quando se é um goblin?

Servi a esses homens por três anos. Meu débito foi pago com o sangue dos inocentes a quem a vida ceifei. Com os poucos recursos que consegui juntar, fui embora de Waterdeep.

Me estabeleci há seis meses em Red Larch. O estalajadeiro, XXXXXXX, me recebeu, sem preconceitos. Permitiu que eu trabalhasse em sua taverna. Eu não dou muito as caras, para evitar que os clientes se sintam desconfortáveis – passo os dias lavando a cisterna, limpando quartos e mesas. XXXXXX é um bom homem – me alimenta com boa comida e, ocasionalmente, até um pouco de cerveja. Em troca, eu limpo e, ocasionalmente, boto os arruaceiros para correr.

Finalmente, sinto que a vida melhorou – ainda sirvo a alguém, o que é algo que gostaria de deixar de fazer, mas, pela primeira vez, sirvo a um homem justo.

Esta terra se transformou em lar, e agora não me sinto sozinho no mundo. O tempo tem amolecido os corações dos habitantes da vila: alguns sorrisos foram disparados em minha direção, e minha presença na pequena feira da cidade não causa ojeriza. Aos poucos, começo a me sentir um deles.

Enfim encontrei paz. Espero nunca mais ter que aguentar meia hora dentro da boca fedorenta de um gigante.


PERSONALIDADE: Blitz não reconhece o nome goblin que lhe deram. Usa o nome de um herói de uma crônica antiga, que leu enquanto se escondia no sótão de uma biblioteca em Waterdeep. É recluso, e não consegue confiar em estranhos com facilidade - o medo de ser pré-julgado, em razão de ser um goblin, determina como age com as pessoas ao seu redor. Jamais deseja ser o foco das atenções. Sua fala é tão baixa que parece um sussurro, e ele prefere não ser notado. Com o passar dos últimos meses, desenvolveu um bairrismo por Red Larch. A pequena cidade foi a primeira, em toda sua vida, a oferecer uma embrionária ideia de lar, e ele lutará a qualquer custo para manter as coisas assim. Como toda pessoa desconfiada, é ranzinza, e prefere subjugar primeiro e perguntar depois - nessa ordem.

Vinicius Marinho
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Re: Blitz'wyk Vex

Mensagem por Shox em Sex Jul 28, 2017 7:26 pm

Vida desgraçada desse goblin hein, massa! ahuahauhau Qual classe dele?
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Re: Blitz'wyk Vex

Mensagem por Vinicius Marinho em Sab Jul 29, 2017 12:41 am

Rogue. Talvez um multiclasse pra monk no futuro.

Vinicius Marinho
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Re: Blitz'wyk Vex

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