Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

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Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qua Mar 22, 2017 11:58 am




Il 08 Febbraio di 2016. Background.
Terra Nostra
A terra se iluminava com o raiar de um novo dia. O orvalho da manhã mal havia secado e a cantoria já podia ser ouvida vinda do vilarejo, acompanhada pelo som de diversos instrumentos e das ondas, que colidiam continuamente contra a costa. O céu azul não ostentava nem um resquício de nuvem sequer e a alegria era comum entre as pessoas, que não paravam de chegar pelos portões da cidade, trazendo grande quantidade de embrulhos em carroças. Parecia que chegavam convidados vindos de além de nosso território. Via-se até anões e alguns elfos entre os poucos desconhecidos. Digo efetivamente poucos desconhecidos porque todos se conheciam em Calapocilia.
Calapocilia era uma Cidade-Estado povoada exclusivamente por humanos, circundada por uma grande muralha e banhada pelo oceano, ao sul. Situava-se na costa do continente Zandor, ao Leste deThaubach, em uma região erma e intocada pelos conflitos de Dragões, Bestas e Tiranos. Fora originada por assentamentos rurais de colonos refugiados, vindos do sul. Conta-se que as três famílias descendentes do povo de Remulo e Romulo – Cosa Nostra, Camorra e ‘Ndrangheta - fundiram-se e fundaram a vila que viria a ser nomeada Calapocilia.
Nesta vila, os Homens lidavam com a terra tão bem quanto se podia e dela obtinham tudo do que necessitavam. Levavam uma vida simples e pacata e não davam importância á riquezas. Mas mesmo uma vida simples atrai atenção de indivíduos gananciosos. Ao decorrer dos dias, a vila passou a ser constantemente molestados por saqueadores cruéis, que levavam tudo o que podia e destruíam o que deixavam. Como medida de defesa, os homens formaram uma milícia e elegeram um líder que ficaria responsável por todas as decisões importantes . Muitos destes homens sabiam manejar uma arma; Os mais proficientes foram designados para patentes mais altas. Assim, a milícia foi sendo aprimorada e ganhando uma organização mais eficiente. O território de ocupação foi delimitado e muros foram construídos em torno dele. Forasteiros foram proibidos de entrar. E as construções se multiplicaram e as plantações foram ampliadas. E por longos anos, houve prosperidade sob o nome de Guardiano e suas cores – verde, branco e vermelho.
Agora, voltando à festa! Naquele dia a segurança havia sido reforçada ao máximo; Cada integrante da força havia sido convocado ao serviço. As muralhas e o cais estavam repletos de discretos cavalheiros responsáveis pela vigília. Perto do castelo, grandes tendas foram armadas, com muitas mesas longas dispostas sobre o gramado e com um palco erguido, de onde a banda tocava animadamente. Crianças corriam de um lado ao outro. Muitos passavam apressados, carregando grandes travessas de comida e jarros de vinho. Um clérigo havia sido convocado de alguma cidade distante e improvisava um altar. O banquete tinha início desde cedo e seguiria ininterrupto até o cair da noite. Só se parava de comer eventualmente apenas para uma rápida dança.  A música competia com o som de conversas, gritos e risadas escandalosas, o que era absolutamente normal entre nós. Agora o Nono Sinatra cantarolava uma canção que todos conhecíamos de cor.
Neste dia, fui encarregado de circular pela festa á paisano, para supervisionar de perto. Servi meus bons anos como Soldato e agora aproveitava os privilégios de minha promoção a Caporegime. Mantinha a postura mais adequada que pude, embora estivesse me divertindo bastante. Caminhei para o outro lado da festa, onde as parreiras se estendiam e passei pela mesa onde os anões estavam sentados. Estavam comendo e conversando discretamente. Não se misturavam conosco nem com outros convidados. Fiz uma leve reverência e fui educadamente correspondido. Continuei até onde as mulheres cozinhavam e como tudo parecia em ordem, retornei às tendas. Contornei o palco e vislumbrei uma linda Ragazza dançando graciosamente e se aproximando por entre as mesas. Olhando em meus olhos, ela veio e tomou minhas mãos, puxando-me para o circulo de dança. Ahh! Che Bella Ragazza! Hipnotizado, deixei-me conduzir por minha amada! Minha doce Catarí.
Mais tarde, estávamos sob o caramanchão de jasmins, em silencio absoluto; O mundo havia se apagado a nossa volta e tudo o que importava era me perder na vastidão de seus olhos verdes; Toquei sua mão trêmula e assim trocamos juras de amor. Foi quando ouvimos os sinos tocando, anunciando o início da cerimônia. Colhi um jasmim e ajeitei em seu cabelo. Beijei sua mão e corri para meu posto.
Todos de pé, silêncio absoluto. Um corredor na multidão levava até Mário, um jovem bigodudo, ao lado do clérigo e do altar. A banda começou a entoar uma leve melodia que crescia para uma bela marcha nupcial. E das escadarias do castelo, veio Don Duce Guardiano em pessoa, conduzindo sua filha Zeldonata. O sacerdote proferiu uma prece e passou um longo sermão, ao qual não prestei a mínima atenção. Ao fim, me aproximei do Sr Frank Zappa, Consiglieri da Famíglia, e requisitei uma audiência com o Padrino mais tarde. Tinha um pedido especial a fazer e esse era o momento ideal; Afinal, nenhum Calapocilio pode recusar um pedido no dia do casamento de sua filha.
E foi assim que consegui a benção e consentimento para pedir a mão de Catarí.  Fui à presença de seus pais e fui recebido calorosamente. Estávamos noivos e mal podia conter minha ansiedade. Fui correndo contar a ela essa maravilhosa novidade. Era fim de tarde e a festa estava tão animada quanto antes. Ela estava com as irmãs, perto das dispensas do castelo. Pedi que as moças nos dessem licença e sentei ao seu lado, tomando sua mão nas minhas.
Notei que seu semblante estava tristonho e seus olhos evitavam os meus. Sei o que poderia animá-la!  “Catari, amore mio, por que estás triste? Tenho uma surpresa a você! Vai te trazer o animo de volta!” - Retirei do bolso do colete uma caixinha aveludada, que continha um anel com uma pedra azul incrustada. - “Sob as bênçãos de nossos pais e de Don Guardiano, eu lhe ofereço minha eterna devoção: Aceitas casar-te comigo?”.  Ao ouvir estas palavras, ela em prantos. Más não eram lágrimas de alegria que vertiam de seus olhos!
“Quero que vá embora! Que saia de Calapocilia para sempre e que nunca mais volte! Não deve haver mais nada entre nós!” – Suas palavras me atingiram como uma adaga no peito e senti como se meu coração tivesse sido arrancado! “Catari! Eu... Eu não compreendo! Eu...” – Ela virou a mão sobre meu rosto e saiu pela porta. Fiquei ali por muito tempo, catatônico, como se toda luz de minha vida tivesse sido obliterada. E Então fui para longe, nos campos de além das vilas, onde poderia estar sozinho. Ninguém poderia me ajudar agora; Ninguém poderia compreender. Apenas meu Bandolin...
Catarí, Catarí,
pecché mm' 'e ddice sti pparole amare?
Pecché mme parle e 'o core mme turmiente, Catarí?
Nun te scurdá ca t'aggio dato 'o core, Catarí.
Nun te scurdá.

Catarí, Catarí,
che vène a dicere
stu pparlá ca mme dá spáseme?
Tu nun ce pienze a stu dulore mio?
Tu nun ce pienze, tu nun te ne cure.

Core,
core 'ngrato!
T'hê pigliato 'a vita mia!
Tutto è passato
e nun ce pienze cchiù.

As palavras vinham de minha alma; E era na música que eu encontrava uma forma de expressar o que sentia. Sempre fora assim... Catari! Por quê? Por que me dissestes estas palavras amargas?
Estava sentado sobre uma rocha no pasto, ao lado das plantações. O silêncio intensificava o meu vazio. E as luzes da cidade, ao longe, oscilavam minha melancolia.  Foi quando vi um clarão no mar perto do cais, seguido pelo alerta dos sinos! Estávamos sendo atacados!
Voltei o como um raio para perto do castelo. A área das tendas havia se transformado em um campo de batalha. As mulheres e crianças corriam para dentro do castelo, enquanto os homens lutavam contra os invasores. Pela falta de cores ou estandartes, não soube dizer ao certo se eram piratas ou mercenários, más havia entre eles vários orcs e humanos. E visivelmente, eles nos sobrepujavam em numero. Alguns dos convidados da festa estavam ajudando na nossa defesa. Reparei no grupo de anões que brandiam machados e martelos contra os atacantes que vinham de três navios ancorados perto da praia. Reuni uma dúzia de homens que estavam por perto e avancei em direção do castelo. As entradas estavam sendo bloqueadas para impedir a entrada dos inimigos e nosso pessoal estava sendo reunido e trazido para dentro. Vi que Catari estava segura, o que deixou minha mente livre para me concentrar. Na falta de melhor, aquela construção serviria como fortaleza e iria nos auxiliar a repelir esses vermes de volta ao mar. Mas desta vez ao fundo!
Nossos arqueiros alvejavam seus alvos através das sacadas e janelas e seria improvável que alguém conseguisse entrar. Peguei alguns dos barris de betume no porão e levei os homens que havia reunido por uma passagem subterrânea que levava até o cais. Essa missão envolvia as minhas especialidades: incêndio e demolição! Tive a idéia de incendiar os navios enquanto seus donos estavam nas praias. Deixei meu melhor arqueiro na praia, preparado para disparar flechas flamejantes na popa ao meu sinal. Embarcamos em um pequeno escaler e realizamos o trabalho eficientemente. Eliminamos os tripulantes que ainda estavam á bordo, e então espalhamos o betume sobre os navios e deixamos alguns barris para incrementar na explosão. E seria uma bela explosão! Retornamos ao escaler e nos dirigimos a praia. Fiz o sinal, más o arqueiro não respondeu. Quando nos aproximamos, vi que ele estava no chão, degolado, e um orc lambia a lâmina que acabara de usar. Maledetto! Mordi meu punho de raiva. Pessoalmente iria estraçalhar o titsuno bastardo! Pulei do barco e cheguei furtivamente. Ele me ouviu, mas era tarde de mais! Minha Cutella já tinha entrado em seu peito, transpassando seu coração. Voltando-me para os navios, vi que alguns dos cretinos tentavam voltar à bordo. Luca Brazzi, meu bom colega, pegou o arco de nosso companheiro caído e disparou contra o primeiro barco. A flecha cravou no mastro e o betume inflamou instantaneamente. A explosão foi tão eficiente que, alem de atingir o escaler dos imbecis covardes, acende em cadeia chamas nos outros dois navios. Hah! Ma che spettacoli! Uma linda onda de fogo abrochou como flores da primavera! Mais um serviço bem feito!
Voltamos para o castelo, mas notamos que a entrada do túnel havia sido bloqueada! Teríamos que nos arriscar pela superfície. Fomos surpreendidos ao ver que agora nossas muralhas estavam sob ataque! Entramos pela porta da cozinha. Um jovem soldato reportou-me que todos que não pudessem lutar haviam sido levados para as masmorras, por questão de segurança. Disse também que as muralhas do lado leste haviam sido tomadas e o portão, aberto. Toda força da Famiglia Guardiano estava dentro do castelo. Fui para o andar mais alto, peguei um arco e comecei a disparar. Era a única coisa que poderia fazer, por enquanto. Fiquei honrado ao ver que o Don em pessoa estava ao meu lado, participando da batalha. Disparamos muitas flechas e o redor do castelo estava repleto de corpos, más os bastardos não paravam de avançar! Fui tomado novamente pelo desespero quando gritos começaram a vir dos salões dos andares baixos. Chegando no parapeito das escadarias que davam vista ao primeiro andar, vi que muitos homens circundavam uma das portas laterais, que estava escancarada! Se os inimigos penetrassem por ali, estaríamos realmente perdidos! Novamente gritos! Agora gritos femininos! Vinham de um quarto no andar que eu estava.
“No! Fredo, o que você está fazendo? Essa é sua família! Você não pode! Eu fiz como você pediu! Você prometeu que ninguém iria se ferir! Onde ele está?” – Era a voz de Catari! E Fredo! Fredo estava lá dentro! Fredo era um sujeito franzino e excêntrico. Não possuía nenhuma habilidade para combate. Era mais inclinado a questões políticas e, portanto fora encarregado de assistir o Consigliere Zappa em assuntos administrativos. Eu estava pronto para arrombar a porta e pegá-lo pelo pescoço, quando algo me imobilizou e tapou minha boca. Fredo continuava – “Shh! Tão bela... Tão fria! Como uma manhã de pálida primavera que ainda se apega ao frio do inverno! Nunca fez parte dos  planos de meu mestre poupar algum Calapociliano. Apenas você, se aceitar juntar-se a mim, como meu mascote!” – Eu me debatia, tentando me desvencilhar, mas tudo se apagava a minha volta. Eu... Estava padecendo... Ainda consegui ouvir as últimas palavras de meu amor, antes de mergulhar nas trevas – “Suas palavras são venenosas!”.
Totnato Dall’Inferno
“Senhor! Senhor”. Acordei deitado na relva, levando tapas na cara. Um camarada me sacudia. Era Gorlami, um soldato do destacamento avançado. Um grande sujeito. Bom coração, embora cultivasse hábitos um tanto que... Excêntricos.  Era um mestre em disfarce e tinha mania de marcar a testa de seus oponentes caídos. Era mórbido em combate. - “Estive preocupado com o senhor! Tirastes uma soneca de um dia inteiro!” – “Gorlami! Que diabos! Onde estamos? O que aconteceu no castelo?” – “Sinto muito, Senhor. Recebemos ordens para evacuar o castelo. O senhor estava sendo asfixiado por um orc quando o encontrei. Tive que trazê-lo desacordado até aqui. E nem sinal de qualquer outro sobrevivente. A batalha estava muito frenética. Estamos aqui desde ontem à noite!” – “Precisamos voltar! Imediatamente. Vamos voltar! A Famiglia precisa de nós!” – “Sim Senhor!”.
Chegamos às muralhas e, por segurança, percorremos por uma região fora do campo de visão. Escalamos e atravessamos as plantações sob cobertura. Ficamos espantados com a quantidade de corpos e, volta do castelo. Baixas estrondosas de ambos os lados. E nem sinal de movimento. Usamos uma entrada oculta e acessamos as dispensas. Passamos pela cozinha e chegamos ao grande salão. Agora, os corpos estavam empilhados por todos os lados, e o cheiro de sangue era insuportável. Vi Luca com uma corda em volta do pescoço e com a mão presa na mesa por uma faca. Mario e Luiggi jaziam juntos, caíram em batalha defendendo Zeldonata. E o Don havia sido decapitado; sua cabeça estava fincada nos candeladros. Estava lutando contra a insanidade, más ficar encarando faces de amigos e parentes e seus corpos mutilados não ajudava. E então vozes!
“Hah! Estamos ricos! Olhe só! Tudo isso está aqui para nós! Podemos pilhar a vontade!” – “GRHHAAAA! Humano não pegar coisas! Grande Mestre querer tudo!” – “Quem você pensa que é, orc imundo? Ninguém me diz o que fazer! Não sem pagar primeiro!” – Ouvimos a discussão vinda dos andar superior. Instrui Gorlami a deixar o humano vivo, pois precisaríamos de informações. Eu iria procurar Catari! Ela deve estar escondida em algum lugar. Ela tem de estar! Ela tem de estar!
Cheguei ao porão, onde as mulheres, crianças e idosos haviam se abrigado. A porta parecia trancada. Então bati nela suavemente. Nenhum som vinha do outro lado! Chamei, más ninguém respondeu! Um silêncio tumular, que anunciava o óbvio. Empurrei e abri uma brecha. E entre...
Entrei e vi... Não eram apenas corpos. Não eram pessoas caídas em batalha. Era um massacre! Uma cena demoníaca de execuções brutais e selvageria. A crianças! Todas elas! As mulheres! Não... Não... Corpos mutilados por mordidas e machadadas! Cadáveres profanados e violentados. E o pior: Não havia nenhum corpo de inimigos entre estes. Os soldados haviam caído defendendo-os e seu sacrifício fora em vão. Não posso... Não podia ficar mais tempo lá... Sai tremulo e fechei a porta. Minha mente estava entrando em colapso. Morte, morte, morte. Esses monstros! Criaturas imundas. Vão pagar! Vão todos pagar! Vendetta!!!
De volta ao salão, Gorlami, sentado sobre as costas de um homem amarrado, desenhando uma flor com a faca na testa de um orc ajoelhado a sua frente. O orc estava sem os braços e a boca estava amordaçada com alguma coisa que definitivamente não era uma corda! Uma amostra da famosa metodologia de Gorlami! Agora era a vez de nosso interrogado. Gorlami saiu de cima dele e o colocou sentado sobre o orc, que agonizava pela hemorragia. - “Cavalheiro, vamos pular as cerimônias e ir direto ao ponto. Estamos com pressa e será bom para sua saúde se colaborar conosco!” – Iniciei com uma boa dose de intimidação. – “Vamos começar: Quem mandou vocês?” – Tirei a mordaça. – “Vá se foder! Eu fui bem pago e você não vai conseguir nada de mim, seu lixo!” – “Não, não, meu senhor, não há necessidade de usar uma linguagem tão ofensiva. E sim, vamos conseguir tudo o que quisermos de você. Gorlami, traga o ferro em brasas. Veja, meu jovem, como você poderia gastar o dinheiro que recebeu se você estivesse sem os braços, como seu amigo orc sobre o qual o senhor está sentado? Não é uma pergunta razoável Gorlami?” – “É uma pergunta muito razoável, senhor!” – “Pois então, o que me diz?” – O sujeito resistia. – “Vocês dois não são nada comparados ao Mestre! Seus desígnios a todos alcança! Vida longa ao Grade Mestre!” – Com o ferro em brasas, comecei a cauterizar os ferimentos do orc, que ainda estava se contorcendo. O cheiro de carne queimando ajudaria a convencê-lo a cooperar. – “Tiranos, Bestas e Dragões. Nossa liberdade vai além de sua opressão. Já ouviu isso? Nós somos Guardiano!” – “Guardiano está morta! Fatiada e fudida! Vocês não são mais nada!” – Diante dessa afronta, Gorlami não se conteve e partiu para cima do sujeito, afundando o nariz para dentro do rosto do cara. Sangue em abundância, más ainda precisávamos dele vivo. Reanimamos e paramos o sangramento. – “Muito bem, o senhor ainda tem chance de voltar para casa andando. Está inteiro... Por enquanto. Quem é o seu mestre?” – “Está certo. Ele não é humano! Ele...” – Nesse momento um virote de besta atravessou a têmpora do sujeito.
Da porta da cozinha, cinco homens armados surgiram.  Um deles recarregava a besta, enquanto os outros avançavam em nossa direção. Meu camarada já estava a frente, empunhando duas adagas longas. E estava com a espada embainhada. Queria testar o efeito de um ferro em brasa sob a moral de um homem. Com movimentos rápidos, vi dois oponentes caírem degolados. Eu bloqueei o ataque de espada e acertei uma garganta; O ferro penetrou a carne como faria com manteiga fresca. Os outros dois realmente foram afetados pela visão do companheiro caindo. Com minha espada, ataquei o próximo. Estava distraído demais para notar quando o besteiro mirava contra mina cabeça. Sofri um corte profundo na costela, mas derrubei o quarto; Nem notei o disparo! Só vi quando Gorlami caia entre eu e o último deles. Ele havia pulado na frente para me salvar! Furioso, decapitei o cara antes que pensasse em alcançar outra flecha.
A seta havia acertado a traquéia de meu colega. Não havia o que fazer por ele. Vi em seus olhos os últimos lapsos de vida. Apenas fechei seus olhos e continuei. Lembrei de Catari! Ela estava em um dos quartos no segundo andar quando fiquei inconsciente! Posso descobrir algo lá! Talvez encontre algo que não queira, más é necessário... Fui até o quarto e encontrei... Encontrei o que temia. Lá estava ela. Meu amor, atirada no chão, com a garganta rasgada e ao seu lado, uma adaga com uma pedra azul; Era a adaga de um assistente administrativo; era a adaga de Fredo. Tu sei morto! Pela minha vida, irei até o fim disto.
Meu amor! Me salvaste a vida! Sabias da ameaça e me queria longe para salvar-me! Linda Catari! Me perdoe! Honrarei seu sacrifício enquanto viver e além! – Em sua mão, estava um lenço bordado e nele, o Jasmim que eu havia dado. Eu ficarei com isto. Será o meu talismã e a marca de minha promessa. Adeus! Riposo nei sogni per sempre!
Minha Famiglia esta toda aqui. Este castelo será seu local de repouso. E nenhum impuro irá profanar seu descanso. Nunca. Passei muitas horas trazendo todos os Calapocilianos para dentro e levando os invasores para fora.  Espalhei todo material inflamável que encontrei nas dispensas pelo primeiro andar, especialmente perto dos pontos de sustentação. Fui para fora e disparei uma flecha em chamas para dentro. Aquela flecha levou toda minha fraqueza interior. Toda emoção que um dia me limitou. Manterei minha honra e reverenciarei para sempre minhas origens. Más agora devo seguir a linha do horizonte.
A gigantesca estrutura de pedras rui em instantes, entre chamas e fumaça. Aqui jaz a Famiglia Guardiano! Que todos os seus inimigos pereçam às sombras de suas ruínas.

Bastone di Fuoco
A ferida em minha costela não me deixava andar direito. Tudo que consegui foi uma bandagem superficial. Não tinha rumo certo, mas decidi ir para o oeste. Arranjei um bom cavalo antes de deixar Calapocilia. Fiz umas boas provisões e peguei roupas novas em casa. Soltei os outros animais e parti deixando os portões abertos.
Depois de alguns dias de viagem, com o ferimento infeccionado, cheguei ao meu limite. Precisava acampar e descansar adequadamente. Improvisei um acampamento simples e tentei esquecer a dor. Estava deitado quando notei a aproximação de um homem. Nem me dei a\o trabalho de levantar. Se houvesse conflito, não teria muita chance dadas as minhas condições. Ele chegou e apresentou-se com o nome Bradley. Ofereceu uma substância para ajudar com meu ferimento. Enquanto me recuperava, contei parte de minha história. Ele me contou alguma coisa da dele. Havia passado por muita coisa,  e trabalhava como mercenário. Notei que ele portava armas estranhas. Perguntei o que eram e foi assim que descobria os Paus de Fogo.
As armas eram baseadas em explosão em canos e impulso de projéteis de metal. Era uma arma ágil e dinâmica, com dano muito eficiente. Quando consegui ficar de pé, ele me ensinou os princípios e o básico de como manejar as armas. Convenci a me contar a origem dessas armas: Ele era o segundo a trabalhar com elas. A idéia surgiu com um grande inventor-artesão anão chamado Maddog Chromebasher, que vivia em uma vila na cordilheira Morozborosnoc.
Decidi que meu objetivo seria dominar essa técnica. Eu seria o terceiro mestre dos Paus de Fogo. Bradley me concedeu sua permissão, um lingote de metal com inscrições, que comprovaria ter sido enviado por ele, e me desejou boa sorte. Despedi-me do camarada e parti assim que consegui montar.
Após muitos dias de viagem, cheguei à vila que buscava. Não foi muito fácil, mas nenhum grande problema se deu no caminho. Fui até a oficina de Maddog e encontrei um anão em uma cadeira de rodas – “Saudações, mestre anão! Fui enviado aqui por Bradley e busco o Grande Maddog Morozborosnoc, O Mestre Inventor Artesão.” – Estendi o lingote que Bradley havia me dado. Com um resmungo, o anão pediu para que me aproximasse, olhou fundo em meus olhos e parece ter visto algo. Talvez algo bom! – “E então, garoto? Por que acha que pode dominar esta arte?” – Meio nervoso, tentava soar o mais assertivo o possível. – “Mestre Maddog, é uma honra conhecê-lo! Eu creio que tenho capacidade e determinação de seguir todos os seus comandos. Tenho interesse no que diz respeito a combustão.” – “Hmm... Vamos ver se você não é um completo fracasso. Coloque seu cavalo no estábulo e volte aqui para aprender algo.” Foi assim que aprendi com o grande Maddog Morozborosnoc. Aprendi não apenas a manejar, mas também a reparar, construir e produzir a munição. Embora um pouco excêntrico e amargurado, ele era realmente um sujeito fascinante. E após meses, reuni um bom conhecimento na área. Em determinado momento, ele disse que eu deveria expandir meus conhecimentos com a prática. Deveria voltar no futuro em busca de novas dicas e para reportar meus progressos. Estava muito grato ao meu mentor. Faria o que me foi sugerido. Testaria minhas habilidades, procurando aprimorá-las. Novamente sem rumo, seguindo o horizonte. E assim será.
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 11:36 am

Il 03 Marzo di 2016. Background do Grupo.
The Gathering

Rider On The Storm

A noite perdurava e os trovões retumbavam por sobre a terra. O ermo se abria, revelando um relevo pedregoso e de vegetação escassa, com uma única trilha, que serpenteava de leste a oeste. Não se notava animais ou qualquer movimento; nem mesmo as árvores delatavam o vento. Apenas os clarões ritmados perturbavam a paisagem. Subitamente, uma figura se destaca no horizonte, claramente algo estranho: uma pessoa vestida com roupas de cores chamativas, correndo! Uma mulher, perseguida por três homens!

Aparentemente, a mulher fugia dos sujeitos em seu encalço; provavelmente saqueadores ou homens rudes em busca de alguma diversão depravada. Ela tentava contornar um barranco em direção à estrada, onde o terreno facilitaria a fuga. Ela teria conseguido se não tivesse tropeçado em uma raiz e se esparramado no chão. Os perseguidores caíram sobre ela como cães sobre uma raposa; E ela estava dominada.

Os homens aparentavam ser criminosos de estrada, oportunistas que vagueiam por regiões ermas a espera de vítimas fáceis, muito comuns nesta região. Um deles tinha uma faca e outro segurava um galho que serviria como porrete. Eles subjugaram a mulher, que berrava e tentava se desvencilhar das mãos perversas. O homem com a faca se adiantou – Ah rapazes, nós demos a sorte grande! Conseguimos te alcançar! Agora nada de solidão a noite, não é? Hahaha! Agora segurem ela, que vou ser o primeiro a aplicar o castigo! – Com maneiras rudes, começou a desafivelar o cinto, mas tombou ao chão ao som de mais um trovão; Só que dessa vez o som ensurdecedor não vinha do céu, mas de trás dos bandidos, onde um cavaleiro de vestes escuras montava um cavalo negro!

- Muito bem, os dois vermes, afastem-se da moça! – disse o cavaleiro. Os dois atenderam olharam para o companheiro caído, com um grande rombo na cabeça. Obedeceram ao comando e largaram a mulher, mas aproveitaram a oportunidade e avançaram sobre o outro. Estavam a alguns metros dele, mas não chegaram a oferecer perigo. Caíram consecutivamente aos dois grandes estampidos, que saíram de uma vara de metal que o cavaleiro apontava. O homem do porrete caiu morto, com um furo na garganta, e o outro tinha o joelho estourado. O cavaleiro desmontou, caminhando até a mulher, colocando sua capa sobre os ombros dela e ajudando-a a levantar. – Io sono Beretta! Está ferida? Agora a senhorita está a salvo. Venha comigo. Estou procurando uma cidade, posso lhe dar uma carona. – A mulher se levantou trêmula, apoiou-se no cavaleiro e ambos montaram no cavalo. – Presto, Brego! Avanti! – O homem que havia sido atingido no joelho agonizava, com um intenso sangramento. – Sua vagabunda! Você vai pagar!

Cavalgaram por algum tempo e ambos mantinham silencio, até que a mulher falou – Nobre cavaleiro! Que belo ato de altruísmo! Lhe devo minha vida! – com um sorriso austero, replicou Beretta – Não me leve a mal, moça, más não foi altruísmo que me impeliu a resgatá-la! Veja bem, estou cavalgando há dias sem rumo, e não conheço esta região. Preciso chegar à cidade habitada mais próxima, e para isso me serás de serventia! Agora, tenha a bondade: indique o caminho. – Como alguém se desfaz de uma máscara, a mulher trocou seu sorriso simpático por uma expressão séria. – Muito bem, siga rumo a noroeste, em pouco mais de um dia chegaremos a uma pequena vila chamada Winterfell. É um local muito discreto. - E então cavalgaram sem mais conversa.


Bad Company

Sob a luz da lua, duas figuras caminhavam bosque adentro. Moviam-se sem fazer barulho. Pararam perto de um grande carvalho, cujas sombras preenchiam o solo. Lá, sentado em uma pedra, um anão mau encarado mastigava – Por que demoraram tanto? Pensei que ficaria aqui até o alvorecer!

Os dois humanos se aproximaram e sentaram no chão, de frente para o anão. – Eu sou Ezio e esta é Okwaho. Soubemos que você tem algo a dizer sobre os rumores... Para que lado a trilha da besta conduz? – Apressados! Haha! Aonde está meu dinheiro? – Ezio tira um pequeno saco e joga aos pés do anão. – Muito bem! Os rumores... A palavra é de que um grande touro veio do norte, mas não era um touro qualquer! Tinha apenas um chifre e... Bem, não se alimentava como uma vaquinha leiteira... É um devorador de carne! Por onde passa, arrebata toda criação e parece que até gente já traçou! Chegou aos limites de Winterfell, mas foi espantado pelos guardas. As trilhas apontam ao sudeste, em direção a costa. E é tudo o que sei. – O homem e a mulher trocaram um olhar significativo e Okwaho assentiu. Levantaram-se e deram as costas ao anão – Tenham uma boa caçada, se é que dão conta! Hhahaha!

On the Tauros Hound Trail

O dia clareou com céu limpo, sem uma nuvem sequer. A vila de Winterfell estava movimentada desde cedo, como de costume. Os mercadores, artistas e toda sorte de escória cuidavam de suas respectivas ocupações. Logo na entrada da cidade, um homem encapuzado chamava atenção dos passantes para uma proposta de trabalho. – Venham nobres aventureiros! Estão em busca de uma aventura recompensadora? Não precisam procurar mais! O chifre do touro sanguinário! Vocês ai, cheguem mais perto! – Entre os ouvintes, Ezio e Okwaho observavam atentos. – Lobo cinzento, não será a besta que você procura? – Um cavaleiro, que trazia uma mulher de vestes chamativas na garupa, desmontou e se aproximou. Eram Beretta e a mulher que havia salvado. – Hey, os quatro ai! Os quatro humanos! Vocês parecem um grupo capaz! – Os quatro se olharam surpresos. – Não somos um grupo! – Exclamaram quase em uníssono. – Mas olhem só! Parecem ser muito habilidosos à sua própria maneira! Tragam-me a cabeça do touro sanguinário que veio do norte, e pagarei a cada um de vocês 50 moedas de ouro! É isso mesmo. Dou-lhes duas semanas. Estarei esperando na estalagem da praça. O que me dizem? – Todos concordaram silenciosamente e se afastaram da rua movimentada.

Ma Che bello! Uma demanda promissora! Il mio nome è Beretta, al vostro servizio! – Eu sou Ezio e esta é minha amiga Okwaho – E você, das roupas coloridas – È Vero! Não me disseste teu nome até agora! – Meu nome é Zoraide. – Ela é meio reservada...

No mesmo dia, após reabastecer as provisões, os quatro partiram em busca da fera. Três dias depois, alcansaram a besta, que havia destruído a casa de um fazendeiro e agora devorava uma família inteira. Era grande como um urso e seus pelos negros recobriam uma couraça natural resistente como metal. Seus olhos remetiam à morte e sua presença exalava o fedor de dezenas de cadáveres. E lá estava ela; a nossa presa.

Okwaho foi a primeira a agir, afinal caçar bestas era sua especilaidade. Estivera no encalço desta criatura a dias e finalmente poderia finalizar o serviço. A tatuagem desfigurada em sua mão direita pareceu borrar e depois assumiu a forma de um touro de um chifre só. Com seus dois tomahawks, demonstrou uma impressionante agilidade e maestria em seus movimentos. Desferiu inúmeros golpes nos pontos vulneráveis da besta, fazendo as lâminas zunirem.

Ezio fechou os olhos e começou a proferir um mantra benfazejo. Assim, seus companheiros sentiram-se animados para a ação. Serrou os punhos em volta do cajado e em um movimento espiral, chamas espontâneas jorraram sobre a besta, chamuscando os pelos de suas costas. Beretta ficou maravilhado com o fogo, que a seus olhos, formava um lindo espetáculo.

O touro estava cercado contra um muro de pedras. Perdera sua agilidade e confuso, não conseguia escolher um alvo.

Zoraide dedilhou sua lyra e em harmonia, proferiu um grito agudo, que fez com que a criatura ficasse atordoada.

Beretta sacou seu Musket, acomodou a coronha no ombro e prendeu a respiração. Com um clamor estupendo, atirou no olho da fera, fazendo um rombo na parte de trás da cabeça. Todos olharam surpresos. Ezio e Okwaho nunca haviam presenciado o uso de uma arma de fogo e ficaram abismados.

A finalização pertencia à caçadora, então Okwaho foi e degolou a fera, finalizando por decapita-la. Nosso serviço estava feito. Voltamos imediatamente para Winterfell.

The Traitor in The Rain

Chegamos em uma tarde escura e chuvosa. Nos dirigimos à estalagem que o nosso contratante havia mencionado. Ele estava na varanda, e as ruas estavam absolutamente desertas a nossa volta. - Hah! Já estão de volta! Não esperava que fossem tão eficientres! Más é uma boa coisa Zola Nigma estar sempre preparado, não é rapazes?. - Ele ergueu uma Besta em nossa direção, com uma seta armada e das sombras muitos homens armados surgiram. - Agora vocês não são mais necessários! Adeus! Huahahahah! - Com um disparo, ele acertou o ombro de Ezio, e seus homens iniciaram o ataque. Estavamos em minoria, mas conseguimos lidar com todos. Mas o contratante, o tal Zola Nigma, havia escapado, conseguindo levar a cabeça do touro que estava amarrada na sela do cavalo de Beretta. Todos estavam irados, mas Beretta não podia se conter. - Maledetto! Io giuro vendetta! Vendetta!!!

Daquele momento em diante, o grupo estava consolidado. Passaram a trabalhar juntos e tomaram por objetivo principal, caçar Zola Nigma, cuja reputação precedia como o senhor das aberrações. Perseguiram seu rastro por mais de um ano, até que sua última pista levava à Shazak, terra dos repitilianos, para onde rumavam, em uma longa jornada, superando perigos inomináveis e fortalecendo a amizade.
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 11:41 am

Il 06 Marzio di 2016. 1ª sessão dos novos personagens.

Deserto sotto Le luci notturne
Eu sempre detestei as intempéries do clima, mas nada se compara ao desconforto que calor do deserto proporciona. A ladainha do vento me aborrecia constantemente e a areia, o que é pior de tudo, se espalhou por todos os meus pertences... Cazzo! Todos! Fiquei levemente aliviado com o cair da noite, mesmo com o frio intenso. E confesso que a imensidão do deserto iluminada pelas luas formava uma linda paisagem.

A viagem havia sido longa e protelamos a parada por bastante tempo. Finalmente estacionamos a carroça e descemos para esticar as pernas. Fui trocar uma idéia com Brego e olhar as estrelas. Mah le stelle... Nunca vi um céu tão belo! Sem luzes para competir com a claridade cósmica, a beleza ficava muito mais evidente. Com uma repentina tempestade de areia, tivemos que usar mascaras e panos para tapar o rosto. Até meu cavallo teve que ser protegido com um trapo.

Quando a tempestade amenizou, ascendemos uma fogueira. Fiquei com o primeiro turno de guarda e subi sobre o teto da carroça para enxergar em volta. Era muito complicado discernir qualquer coisa, apesar da claridade forte. Tudo parecia muito tranquilo, até algo no horizonte começar a se mover. No começo pareciam insetos; Pequenos objetos ziguezagueando sobre a areia irregular. Acordei aos outros e preparei meu mosquete. Forcei minha visão, más por um momento pensei estar sofrendo alucinações; Eram barcos! Si! Canoas com velas deslizando sobre a areia!

Concentrei toda minha atenção nas figuras que avançavam em nossa direção. Eram três. Deitei para facilitar a mira e para não ser visto. Vi que Okwaho foi para frente da carroça e disparou uma flecha luminosa, só que não na direção das canoas. Ela disparou para direita, em algo que não pude ver a principio. E nem me virei para olhar. Meu alvo estava à frente. Prendi a respiração e mirei na barca mais próxima. Estava prestes a puxar o gatilho, quando uma figura grande aterrissou no chão, levantando uma nuvem de areia.

Era um dragão! Um maledetto dragão azul, parado sobre as pernas, trazendo um escudo e uma grande espada e com asas largas saindo das costas. Parecia mais humanóide do que uma besta. Ezio falou com ele em uma língua estranha e depois ele respondeu, mas em comum agora. Bene, se está travando contato, vou me concentrar naquelas figuras escuras sobres as barcas. Já pude divisar espadas e facas em suas mãos, o que me foi suficiente para me assegurar suas intenções. E efetuei o primeiro disparo. Caiu o primeiro, e o segundo após ele. Enquanto carregava o mosquete, eles chegaram e começaram a descer em nossa direção. Figuras negras com cabelos brancos, eles eram. Lembravam-me dos elfos, mas com uma aparência mais sombria. Oswaho e seu lobo avançaram, seguidos por Ezio e pelo dragão; parece que ele iria nos ajudar. E realmente sua ajuda foi muito prestimosa; Ele derrubou primeiro oponente, efetuou um salto impulsionado por um movimento com as asas e caiu sobre o segundo, cortando-o ao meio. Era assombroso, e estava me divertindo muito com o show, mas não podia deixar de participar.

Atirei com o rifle e depois com a pistola sobre um sujeitinho que se negava a cair, e derrubei-o. Certamente eles se assustaram com os disparos, mas não paravam de avançar. Já que havia denunciado minha posição, resolvi descer da carruagem e levar um pouco de luz. Zoraide estava ao lado da fogueira, se entretendo com a ação. Peguei um graveto da fogueira, caminhei até a barca mais próxima e ateei fogo às velas. Lobo Cinzento e seu mascote ainda estavam sobre a proa, e tiveram que sair presto para escapar das chamas.

Quando terminamos o serviço, verificamos os corpos e os empilhamos sobre as chamas que crepitavam. Conseguimos alguns trocados e algumas laminas, que poderemos vender na cidade. Enfim, poderíamos conversar devidamente com o visitante escamoso. Ele se apresentou como Rhogar, dragonato à serviço da Espada, seja lá o que seja isso... Disse estar em busca de um grupo no deserto e questionou nossos propósitos e destino. Dissemos que estávamos rumando a Shazak como comerciantes. Exigiu ver nossos documentos e mercadorias. Coube à Zoraide persuadi-lo de nossas intenções: Foi até a carroça e voltou com um documento e com um recipiente contendo um líquido branco leitoso. Certamente a ragazza tem seus métodos, e é a melhor no que faz, diga-se de passagem. Tenho certeza de que o dragão se convenceu. Concordou em nos escoltar até a cidade do povo Lizard.

Descansamos alguns instantes antes de retomar viagem. Estava distraído e toquei algo que fazia volume em minha perna. – O que tenho em meu bolso? – \me veio à mente uma velha charada que contavam nas canções dos pequeninos: ‘Mãos! Faca! Barbante... Ou nada!’. Tiro a mão do bolso e encontro uma pedra azulada. Era um item que havia ganhado de despedida de meu antigo mestre Maddog. Até o momento não descobri para que servia e não pude conter mais a curiosidade. Li as inscrições hesitante e chablaw! A pedra evaporou de mina mão e a minha frente formou-se um vórtice de ar intenso que começou a tomar forma. Uma grande figura transparente fez-se visível à minha frente! Um Elemental do ar! Havia ouvido falar deles! Não sabia o que fazer, mas ele parecia me encarar, então resolvi testar alguns pedidos. Pedi poderes, itens e até uma bebida gelada, mas nada. Ele ficou por um bom tempo a minha frente e só obedecia a comandos de movimentação. Mas logo se dissipou e sumiu... Caspita! Desperdicei a maledetta pedra! Como fiquei frustrado!

Dolce Vendetta!
Chegamos a cidade e descobrimos que haviam muitos homens e anões por aqui. Era uma cidade portuária e isso explicava muito. Notei também que a cidade era muito alheia ao que ocorria e nem pareceram reparar em nós, forasteiros. Fomos direto á taberna mais próxima do porto. Sentamos e pedimos bebidas. Zoraide foi Okwaho estavam bebendo muito e logo ficaram fora de ação. Ezio estava inconveniente... Os dois se arrastaram para fora, enquanto me aproximei de Zoraide para ouvir a conversa com o bartender. – Sim, um sujeito estranho tem procurado um de nossos xamãs. Nigma, eu acho. – Quase peguei o homem pela gola da camisa – Nigma, você dise? Um home com uma cicatriz no rosto, barba comprida? – Não sei da barba, mas ele tem uma cicatriz bem evidente. Acredito que logo ele virá até o bar. – Fiquei exasperado! Finalmente teria ele e minhas mãos! Zoraide pediu para que o bartender avisasse quando o sujeito estivesse chegando, estaríamos na mesa perto da porta, fora da visão de quem entrasse. Ezio chegou e disse que Okwaho estava muito alcoolizada e ficara em uma estalagem dormindo. Nos colocamos a postos.

Vimos um grande Lizard portando um bastão entrando, quando o camarada do bar nos fez um sinal. Atrás do Lizard entrou um sujeito careca e sem barbas, mas com uma grande cicatriz no lado esquerdo do rosto. Era Ele! Nigma, chegou sua hora! Ezio levantou e furtivamente saiu pela porta. Eu caminhei com meu mosquete em mãos e parei na porta para bloquear uma possível fuga. – Zola Nigma! Você está preso por tentativa de assassinato, crimes de má fé e estelionato! Mantenha suas mãos levantadas e não se mova. – Eu pretendia estourar sua cabeça naquele exato momento, mas precisávamos de um álibi para os civis a nossa volta. Mas ele se moveu muito bruscamente... E eu disparei contra suas pernas, acertando de raspão. Ele virou e me encarou. – Hah! Então é você! Então vamos resolver isso! – Era muito ágil e não pude acertá-lo a tempo. Quando percebi, ele desferiu um golpe contra minha barriga. Ignorei o sangue e a dor, recuei e disparei contra ele duas vezes. Acertei o primeiro tiro, mas a pistola travou no segundo. Zoraide proferiu um encanto e Nigma caiu em um acesso de risos no chão. Puxei meu garrote e enrolei seu pescoço. Ele se debatia e conseguiu passar as mãos pelo fio. Tentei forçá-lo mas ele conseguiu se libertar. Levantou-se tossindo e com o rosto vermelho por causa da circulação. Tentou ainda me apunhalar, mas errou. Passou por mim e avançou contra Ezio. Disparei contra seu ombro, mas ele não caia. Saiu correndo pela rua e fomos atrás. Nunca vi um sujeito tão rápido! Mesmo ferido nos deixou bem para trás! Eu e Ezio tentávamos acertá-lo; Eu com tiros e Ezio com mísseis mágicos saídos de seu bastão. Parei de correr, respirei fundo e atirei.

O tiro acertou perto da coluna, acima da costela e ele tombou ao chão. Ezio e Zoraide chegaram a ele antes que eu e comecei AA gritar para que o segurassem. Se ele levantasse eu iria entrar em colapso. Cheguei e finalmente pus minhas mãos sobre ele. Ainda estava vivo. Ezio disse que deveríamos levá-lo a algum lugar para interrogá-lo. – Com certeza! Pergunte o que quiser! – E enterrei a cutella no coração do moribundo. – Vendetta! Maledetto, queime pela eternidade! VENDETTA!!! – Interrogar... Nunca foi esse o plano. Interrogar para que, caspita? Microcefallo! Essa era uma missão pessoal. E estava feito!

Zoraide pareceu satisfeita, más Ezio estava revoltado. A Va Fangullo! Disse para que eles voltassem e se preparassem para partir o mais rápido o possível. Eu iria terminar o serviço. Arrastei o corpo até o cais, peguei a adaga do morto, cuspi sobre ela e enterrei-a em sua testa. Joguei o corpo no mar e a água o levou. – Que as águas lavem sua podridão, Zola Nigma!

Voltei a taberna e Okwaho já estava de volta. As pessoas agiam como se nada tivesse acontecido. Só o Barman parecia impressionado com os disparos. Zoraide tentava justificar, contando uma de suas lorotas. Só Ezio agia de mau grado para comigo. Eu queria ir embora, mas nenhum dos meus companheiros estava preocupado com a ação das autoridades. Resolveram que queriam importunar o xamã, que ainda estava perto do bar. Foram falar com ele, mas fiquei ouvindo de longe com Lobo Cinzento. Conversaram sobre Rhogar e sobre Krigaros. Ouvi o xamã se referindo a mim como portador do trovão e ouvi um comentário sobre dragões de cor e que devemos desconfiar deles. Achei engraçado e fiz uma piadinha, dizendo que ele era racista ao pensar assim. Ele avançou contra mim e pois a mão no meu pescoço. Que erro ele cometeu. Me desencilhei e preparei meu rifle contra sua garganta. Todos levantaram e apartaram. Muitas mãos me empurraram ate a porta e me trancaram do lado de fora. – Hmpf! Pelo menos estou em melhor companhia aqui fora, com o lobo! Não é mesmo, peludo?
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 11:43 am

Il 21 Marzio di 2016 (2ª sessão)

Terra di Gechi
Sabe aquelas pequenas lagartixas que se esgueiram pelas paredes em regiões de clima seco? Si, parassiti schifosi! As criaturinhas repulsivas infestavam as vigas sobre minha cabeça. Só consegui dormir depois de empalá-las nos pregos salientes da janela. Havia me hospedado em uma pocilga próxima ao cais, depois de ter sido expulso da taverna. Levantei cedo e fui me reunir com os outros.

Ezio ainda estava na biblioteca. Ele havia se distanciado depois dos desentendimentos do dia anterior. Okwaho e Zoraide estavam conversando perto da carroça, tentando resolver o que iríamos fazer. Ainda não tínhamos destino ou objetivo traçado. Parece que só eu fiquei satisfeito com a morte de Nigma. Os outros queriam descobrir o que havia por trás dele e de seus experimentos com aberrações e quando eu o matei, eles perderam a chance de interrogá-lo. Tolice, io dico! Nosso assunto não ultrapassava as obrigações impostas pela vendetta. Ma va bene...

Enquanto não decidiam, as duas foram averiguar um serviço que estava anunciado num cartaz na taverna; Algo relacionado a criaturas marinhas atacando a praia. Parece que iríamos pescar! Bene, nesse tempo, fui ao ferreiro para produzir munição. Entrei na pequena oficina e encontrei um homem que me pareceu simpático o suficiente para tentar uma negociação razoável. Disse que era um colega e que precisaria usar sua forja por algumas horas e de certa quantidade de metal. Ele foi realmente cordial no início, más quando tentei pechinchar, ele se mostrou terrivelmente o serviço, e para não ser expulso, tive que pagar mais. Caspita! Não existem comerciantes de verdade in questa maledetta città! Hmpf!

Terminado com as munições, voltei reabastecido e pronto para algum exercício. O serviço era simples: decapitar Murlows que estavam saqueando cargas preciosas do porto e apresentar suas cabeças em troca de uma boa quantia. O contratante indicou o capitão de um dos navios ancorados para que tentássemos conseguir alguma ajuda. Fomos até o navio e encontramos um anão que se apresentou como Capitão Briks, ou algo assim... Pedimos por sua colaboração, e se possível, para usar seu navio de isca. Apesar de toda a persuasão que tentamos sobre o sujeito, tudo que conseguimos foi uma caixa vazia para ludibriar as bestas até a praia.

Certamente, seria suicídio entrar em combate com as bestas em ambiente aquático, então pensamos em atraí-las até uma boa distância da praia, sobre a areia das docas. Okwaho sugeriu que usássemos minha proficiência com explosivos para eliminar as criaturas, então pedi às duas que fossem arranjar algo inflamável enquanto eu cavava e preparava a armadilha. Amontoei cacos e estilhaços de metal para aumentar a eficiência da explosão. Logo vejo as duas vindo de uma taverna, rolando três barris. Fiquei satisfeito! Três barris fariam um grande espetácolo. Só precisaríamos tomar cuidado pois se exagerássemos, não sobraria nenhuma cabeça para exigir recompensa. Qual não foi minha decepção quando me disseram que era cerveja! Ceveja! Cazzo! Due microcéfalo! A porcaria não servia nem para beber, de tão ruim! Logo elas foram e voltaram com garrafas cheias da porcaria mais forte que já tive o desprazer de experimentar. Certamente faria uma bela fogueira. Elas disseram que conseguiram essas bebidas – e os barris – em troca da promessa de fazer propaganda de uma taverna fracassada... Tanto faz... Me preocupei com a armadilha. Enterrei em areia fofa para reduzir levemente o raio da explosão. Quando olhei para o lado, havia uma multidão em volta dos barris de cerveja. As duas distribuíam cerveja para os marinheiros e passantes, que agora chegavam a quase trinta bêbados! Hmpf, espero que nos sirvam de alguma coisa.

Bruciato a Bordo
Me prostrei sob cobertura de algumas rochas e me aprontei para ação. Foquei atenção na água, más não obtive muito sucesso; Zoraide promovia uma cantoria estupenda entre os camaradas que bebiam. Duvido que isso ajudaria a atrair algo que não fosse mais bêbados. Hahaha!

Uma movimentação estranha na água me chamou a atenção! Barbatanas rondavam o navio. Pronto! Elas estão vindo! Não, espere! As criaturas desviaram e começaram a escalar o navio. – Rápido, Okwaho! As bestas estão no navio! Alerte os marinheiros! – Em um instante, vi uma horda de homens e lizards cambaleantes correndo para a água com um clamor sanguinário. Poderia ter sido uma cena heróica, se não fosse tão cômica! Desamarrei um escaler, puxei as duas moças pelo braço e fomos nos meter na confusão.

Atingi a borda da quilha e pulei, mas escorreguei vergonhosamente para a água. Quando consegui voltar para o escaler, Zoraide e Lobo Cinzento já estavam no navio. Levei um tempo trocando as cargas de pólvora, que havia encharcado com meu mergulho. Consegui finalmente escalar pela escadilha, então vi cinco criaturas monstruosas parecidas com sereias, mas sem a lendária beleza. Golpeavam os marinheiros com grandes arpões, abrindo gargantas e espalhando entranhas pelo convés. Prontamente, atingi um deles com um tiro de pistola e um de mosquete. Trazia comigo uma das garrafas de aguardente que havia enterrado na areia. Parei um dos bêbados, pus a garrafa em sua mão e ordenei que a atirasse sobre a criatura do outro lado do navio. Como um herói, ele o fez eficientemente. A bebida se espalhou por uma pequena área da popa; seria útil em breve. Quando pensei em ascender o fogo, notei a besta que havia atingido com os tiros: ela me fitou e começou a avançar vagarosamente sobre mim. Corri até o mastro e comecei a escalar. A besta me seguiu, e escalava mais rápido que eu. Tentei atirar em sua face, mas minha pistola travou novamente. Vi que as coisas não iam muito bem lá embaixo, e que as criaturas estavam massacrando os homens. Ascendi um pedaço de estopa e joguei na poça de liquido inflamável. Cabum! Um lindo tapete flamejante se formou, cobrindo um dos monstros. Havia até me esquecido do camarada que vinha para me pegar. Fui salvo por uma flecha de Okwaho, que prendeu a besta ao mastro, e por um feitiço de nossa amiga Zoraide, que finalizou a besta.

Pulei para baixo e vi que apenas dois dos cinco corpos dos inimigos estavam no barco. Os outros haviam conseguido fugir. Comecei a decapitar o meu perseguidor, quando ouvi os marujos anunciado a chegada do capitão. O fogo já havia se extinguido, mas havia causado um pequeno estrago. Peguei a cabeça e saí abaixado, com maestria de furtividade. Quando sentiram minha falta, já estava na praia, esperando por minhas companheiras. Não poderia arriscar a me expor à ira do capitão.

Zoraide estava possessa! Não olhava em minha cara e se afastava de minha presença. Até Okwaho estava nervosa. Não sei porque, já que graças a minha fogueirinha três dos Murlows haviam sido espantados. E em nenhum momento havia posto elas em perigo. Estava tudo sob controle. Más não queriam ouvir. Fomos até a taverna e encontramos o taverneiro muito grato pela ajuda com a clientela. Ofereceu-nos algum dinheiro como retribuição, mas Zoraide não queria que eu recebesse minha parte. Dizia para que eu fosse embora, mas estava muito cedo para dormir. Então compreendi: Ela queria que eu fosse embora; Que eu deixasse o grupo!

Tenho passado por muitas coisas difíceis... Passei por coisas pelas quais ninguém deveria ser submetido. E quando encontrei essas pessoas, esses três aventureiros, pude ter alguma esperança de manter minha sanidade. Eu entendo... Entendo que seja difícil aceitar minha forma de agir. Carrego muitas cicatrizes; Cicatrizes da alma. Más a idéia de me separar deles, não poderia suportar. Por um ano vagamos e lutamos, e nnesse tempo arranjei muito problema, e agora, no fim de nossa grande missão, devo ir embora! Ma Che... In che sono diventato? Catari, aiutami! Em mim, urge o chaos e a ira. As vozes... As vocês cessaram, catrari! E nada ocupa o seu vazio, apenas o fogo; Aquele que nunca se apaga.

Di Nuovo Sulla Strada... o Mare
Quando acordei, temi que não encontrasse nenhum de meus amigos na cidade. Como fiquei feliz ao encontra a carroça ainda estacionada na frente da estalagem! Encontrei Okwaho com seu lobo na saída da taverna e não pude deixar de notar que Vowl vestia uma capa de couro de Murlow! - Hah, isso viria a calhar, não é peludo? – Ele parecia meio desconfortável, mas creio que iria se acostumar rápido. Ezio havia voltado e estava conversando com Zoraide. Esse era o momento. Agora deveríamos decidir o que seria do grupo. Zoraide ainda estava aborrecida, mas permitiu que eu me aproximasse. Ela falava de arranjar um navio para transportar uma carroça, um cavalo, um lobo e quatro pessoas para Seawotrh. Quatro pessoas! Então quer dizer que ainda poderia ir junto! Quase não conti minha exasperação! Essa era minha chance de mudar as coisas. E eu vou. Io prometto!

Decidimos ir para Lago Profundo em vez de Seaworth. Nem me preocupei, contanto que eu fosse bem vindo entre eles. Conseguimos um navio com preços razoáveis. O que me preocupava era que havia deixado uma mensagem para o Lagarto Azul, de que íamos para Seaworth... Isso poderia causar inconvenientes, mas só lembrei disso quando já havíamos embarcado. Paciência... Espero que ele chegue até nós... Algum dia...
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 11:45 am




Il 03 Aprile di 2016. 3ª sessão

Dove Immerge La Montagna
No mar, os dias parecem todos iguais. Alguns dias de marasmo, alguns dias de tormenta; Más, basicamente, éramos um graveto boiando em uma poça gigante, a mercê da boa vontade dos ventos. Não digo que tenha sido a minha viagem mais desagradável, más não durmo direito desde quando deixamos o porto. Já tinha me acostumado com o balanço do navio, mas sempre que deitava na rede, minha cabeça ficava colidindo com a viga ritmicamente. No meio da noite acordei tão encazzado que por pouco não explodi o paiol para acabar de vez com aquela maldição, mas felizmente pude me conter.

Chegamos a Lago Profundo e aportamos em uma cidade que ficava incrustada na montanha, no ponto em que esta emergia nas águas escuras. Duas grandes muralhas isolavam as laterais, limitando o acesso por água ou pela montanha. Logo pude perceber que era uma cidade um pouco maior que Shazak, e também predominantemente mercantil. Nossa missão era localizar um artefato com propriedades mágicas. Não tive acesso aos detalhes... Isso era responsabilidade dos sapientes do grupo; Sou aqui apenas o homem de ação e não me prendo a detalhes tão minuciosos. Hah!

Ezio e Zoraide foram colher informações, enquanto ia para uma taverna com Okwaho. Pedi que me arranjassem um barril de alcatrão, mas pude ver pela troca de olhar dos dois que eles não o fariam. Quando partiram, comprei um barril e pedi que Okwaho guardasse segredo. Chegamos a taverna e qual não foi minha surpresa quando encontrei um dragão azul bebendo no balcão! – Rhogar! Que bela surpresa! – Ele disse que estava indo ao norte para uma missão. Disse que provavelmente também iríamos para aquela direção também e resolvemos nos unir. Depois de assistir o combate no deserto, fiquei convencido de que ele seria uma excelente aquisição.

Não tardou muito para que retornassem. Zoraide logo percebeu que eu havia comprado material inflamável e não escondeu a reprovação. Sinto muito, mas não posso me privar destes pequenos prazeres. Afinal, não tenho provocado nenhum incidente sério há dias; Desde o dia da caçada dos Murlows...

Bebemos um bocado durante a noite. Passei mal e acabei vomitando sobre o nosso javali assado, que estava na mesa. Deitei na soleira da porta de entrada com Vowl e adormeci. Logo cedo iríamos à caça do artefato, que supostamente seria encontrado na posse de um Necromancer. Finalmente alguma ação! Com a compra do alcatrão, exauri grande parte das minhas economias. Tive que pegar emprestado de Ézio algum ouro para comprar provisões. Devo me preocupar em guardar mais recursos...

Passeggiate I Morti

Acordei com o sol na face, me segando. Fiquei atordoado mas logo me recompus. Levantei, fui ate o balcão, pedi uma água, fiz bochecho e cuspi no chá que Ezio estava tomando. Então fui para a carroça e aguardei nossa partida. Fiquei satisfeito, pois O Dragão Paladino estaria nos acompanhando. Passamos pelo deserto e chegamos a ruínas obscuras em um vale. De longe não notei nada alarmante, mas os sensitivos aqui já identificaram más vibrações. Cazzo, isso não me parece bom...

Resolvemos esperar o anoitecer para adentrar o local. Ezio ficara invisível sob um feitiço e Okwaho o acompanhou. Foram na frente, enquanto Rhogar alçou vôo eu fiquei provendo cobertura à distancia. Nada! Na superfície, tudo parecia em ordem. Nos aproximamos e descobrimos uma entrada, que levava para baixo. Atingimos uma câmara subterrânea e no ar pairava um cheiro terrível de carne em deterioração. Algo podre! Notamos alguns cadáveres no chão; Alguns putrefatos, outros em puro esqueleto. Ezio continuava na frente. Como estávamos na território de um necromante, não nos surpreendemos muito com o que se seguiu: Os cadáveres começaram a se mexer e então ergueram-se. Os mortos-vivos vinham agora em nossa direção. Passaram despercebidos por Ezio e vieram direto para nós. Não representaram grande esforço, mas proporcionaram alguma diversão. Os corpos putrefatos eram mais lentos, embora mais resistentes. Logo voltaram a ser o que deveriam: uma pilha de restos.

Ezio nos chamou e levou até um orbe gigante incrustado entre o chão e o teto. Para mim era uma pedra preciosa lapidada, como uma safira ou um rubi, mas os outros discutiam sobre coisas complicadas como propriedades mágicas e energia contida. Logo vi que não seria útil, a menos que resolvessem dinamitar a esfera, então fui dar uma checada ao redor. Zoraide e Rhogar encontraram algumas coisas. Localizamos uma grande passagem, que continuava para uma caverna que descia. Atingimos outra câmara, com um grande altar ao centro. No altar, reconhecemos diversas runas e inscrições em diversos idiomas; Todas elas referenciando aspectos da morte.

Nesta sala havia ainda outra passagem, que continuou a nos levar para baixo através de um corredor estreito e escuro. Mas nesta passagem em particular notamos algo no mínimo inusitado: nenhum som poderia ouvido. Não apenas silencio. Nenhum som! Voltamos pela porta e notamos que isso só ocorria dentro do corredor. Não precisávamos de um especialista para dizer que a área estava sob um efeito mágico. Descemos com cautela, após lançarmos uma flecha luminosa para clarear o caminho. Rhogar ia na frente, com seu escudo erguido e eu, cuidava da retaguarda. Assim que Rhogar atingiu o final da descida, ele parou e olhou para baixo: Ele havia tropeçado em algo e havia acionado uma armadilha. Dardos voaram da parede e o acertaram. Ele continuou em pé, mas hesitou. Proferiu algo que nenhum de nós compreendeu. Tudo que vi foi um liquido esverdeado que gotejavam do dardo que ele segurava.
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 11:47 am

Il 15 Maggio di 2016 (4ª Sessão)

Ciao Oscurità, Vecchia Amica Mia
A escadaria terminava e o caminho se abria, logo após uma curva. Paramos a frente de uma porta de madeira e o silencio ainda era absoluto. A pouca iluminação da qual dispúnhamos provinha das nossas tochas e da flecha que Lobo Cinzento havia atirado antes de descermos. Rhogar já não demonstrava os efeitos de envenenamento; deve ter se curado, sendo um paladino tão capaz.

Okwaho me cutucou e fez sinal para que eu tentasse abrir a porta ao meu lado. Cazzo! Não me senti muito tentado, tendo presenciado a armadilha que atingiu Rhogar ser acionada. Puxei o Paladino pelo braço e ele fez o serviço; despedaçou a porta e pudemos ver movimento na penumbra. As abominações vieram.

Copos reanimados! Intimidadores, embora facilmente repelidos. Usei o mosquete, com um belo tiro, modéstia a parte; mas o corpo continuou cambaleando em nossa direção. Na pressa, saquei a pistola e acionei o cão e o gatilho ao mesmo tempo. A arma travou! Senti um dor lacerante no ombro e me encolhi. Estiquei o braço e tirei uma pequena adaga. Zoraide! Sua Maledetta! Ao tentar um arremesso nos inimigos, ela acertou o ombro errado. Não foi um ferimento grave e Ezio me ajudou a estancar. Sorte que os outros estavam me dando cobertura. Pude remover o projétil que havia engasgado o tambor e ainda tive tempo de explodir uma cabeça putrefata. Soprei o cano e provei o doce aroma de pólvora queimada.

Na próxima sala, duas portas. Não ofereceram grande resistência. Estava ajustando a mira do mosquete quando vi o grupo separado; Rhogar barrava a passagem a minha direita, lutando contra criaturas fétidas com longas garras, enquanto o resto de nos lidava com um fantasma lamuriante, que exercia um poder assustador. Sim! Lamurio! Nesse local, o som voltava a existir! Parece que havia um perímetro que limitava o feitiço de silencio! Ao pousar meus olhos sobre o fantasma, identifiqueis feições femininas distorcidas. Meu corpo foi tomado por um temor gélido e por pouco não cedi ao desespero. Respirei fundo e resisti. Não seria uma alma atormentada que iria tirar minha sanidade. Acertei dois disparos, mas não vi muito efeito. Virei minha atenção às bestas que se batiam com o Paladino. Uma delas exalava uma espécie de aura pestilenta. Era a criatura mais repulsiva que já tive o desprazer de encontrar. Por alguns instantes, seu toque parece ter paralisado o nosso draconato. Mas não representaram desafio tão grande; morreram rápido. O fantasma deu mais trabalho. Derrubou Ezio e o lobo. Ao ver seu companheiro caído, Okwaho golpeou furiosamente a besta, que acabou dissipando como vapor. Conseguimos reanimar os feridos e continuamos.

Nas câmaras seguintes encontramos duas inscrições. Uma delas, em anão, lia-se “a companhia do escuro da espada roubou este lugar”. A outra, redigida com arranhões na rocha, dizia “ele está acordado”. Nada disso fez sentido para mim.

Polpetta Viziata, Caduta dell’Coraggioso

Seguimos os corredores de pedra, esse ambiente nefasto que me traz memórias sombrias. Os restos mortais espalhados pela rocha fria me lembram das pessoas justas que um dia caíram sob a lamina da ganância e da covardia.

Chegamos a uma porta mais reforçada, de pedra, e claramente emperrada. Okwaho e Rhogar forçaram continuamente, mas falharam ao tentar abrir. Pedi licença e instalei uma pequena carga de pólvora nas dobradiças. Quando viram que eu estava preparando uma explosão, todos saíram correndo, para a cobertura do muro. Foi no mínimo cômico. Ascendi o pavio e saí correndo. Pena que calculei mal a detonação; o que consegui foi frustração e algumas fagulhas. Nem explodir direito a caspita da pólvora explodiu! Mas certamente enfraqueci as travas, pois a porta cedeu e tombou com um único golpe do paladino.

E a porta atingiu o chão silenciosamente, levantando uma nuvem de poeira. Olhamos pelo batente da porta e distinguimos, com certa dificuldade devido a penumbra, um corpo redondo gigantesco flutuando. Uma cabeça flutuante coberta de carne putrefata e tentáculos, com um olho cego no centro e com uma boca escancarada repleta de dentes. Não pude prestar muita atenção; aquela visão pitoresca nos amedrontou e não resisti. Voltei à cobertura da parede e olhei para os outros, para saber se estavam dispostos a combater ou se fugiríamos. Era apenas uma cabeça zumbi gigante; Poderíamos rechaçá-lo com uma estratégia perspicaz, pensei comigo. Ezio havia reparado no teto, que estava ruindo e poderia ser comprometido. Preparei meu barril de alcatrão, única carga de explosivo que tinha, mas que deveria dar para o gasto. Prontamente ascendi o pavio e Rhogar o arremessou para dentro da sala do monstro. E corremos.

Eu esperava uma explosão mais in sondaggio. Talvez aquele scroto vendedor tenha me vendido um alcatrão adulterado. Ma va benne... Voltamos cautelosamente e notamos que realmente algumas pedras haviam desmoronado. Mas o dispettoso ainda estava vivo, se é que se pode colocar dessa maneira. Benne, não estava devidamente morto. Zafrina entrou prontamente e se atirou sobre o inimigo com seus dois machados. Rhogar proferiu um feitiço e invocou um pilar de luz sobre a besta. Estávamos começando a ficar confiantes, quando raios foram disparados dos tentáculos da aberração. Com uma mordida, Okwaho caiu. Nos movimentamos para puxá-la da sala, mas quando eu preparava efetuar um disparo de distração, um raio verde passou pela porta. Rhogar estava ao meu lado, mas quando virei para ver se havia sido atingido, não o vi. Olhei em volta confuso, e notei a feição de horror na face de meus amigos do outro lado da entrada. Foi então que vi, justamente no local onde o paladino estava, um monte de poeira e alguns itens caídos. O draconato havia sido instantaneamente desintegrado!

Fiquei catatônico por instantes, sem crer na morte tão súbita de nosso companheiro. Quando dei por mim, estava fugindo cegamente de volta para as escadas. Ézio puxava Lobo Cinzento, que ainda estava desacordada. O monstro se espremeu pela estreita passagem em nossa perseguição, deixando para trás grande parte de sua carne podre para trás. Tentei desferir vários disparos, mas errei todos devido ao nervosismo. Dessa vez, fui atingido por um raio cinza, que me fez desistir de lutar. Apenas correr. E eu corri, ate sentir meus músculos se enrijecerem. Eu estava paralisado por outro raio. Okwaho havia sido reanimada e disparava flechas contra a besta. Aproveitei a deixa para me recuperar e fugi até a escada. Parei para recuperar o fôlego e recarregar as armas.

Zoraide veio ate mim e disse que já era seguro voltar. Quando cheguei, vi Okwaho ao lado do corpo besta, que estava cravejada de flechas. Nossa brava dama selvagem havia nos salvado! Prontamente Zoraide realizou a extração de tudo que pudesse ser útil do corpo. Ezio se mostrava desanimado e descontente. Voltamos ao local onde nosso amigo havia caído e notamos o que restou dele. Sua espada, que ficou com Okwaho, algumas miudezas e uma pequena faca com um elo no cabo, conectada a uma longa corrente de material metálico levíssimo. Parecia ser uma arma exótica, de monges provavelmente. Essa ficou comigo. Prestamos nossas condolências, mas como não restara nada de nosso amigo para um funeral, simplesmente nos despedimos com uma rápida mesura silenciosa. E assim caiu um grande combatente da luz: em meio ao silencio e escuridão, nas profundezas dos domínios da morte.

Estávamos exaustos e a nenhum de nos parecia atraente a idéia de dormir ali, no meio daquele antro profano. Voltamos à nossa carroça e descansamos; inquietos e alertas. Voltamos ao local onde havíamos encontrado a grande criatura e chegamos a uma pequena passagem com duas portas. A primeira nos levou ate um a sala com um trono simples, mas sem saída. A outra estava bloqueada por uma grade de barras suspensas. Antes de atravessarmos, notamos duas criaturas do lado oposto. Okwaho usou o bastão imovível que havíamos encontrado na caverna acima para bloquear o avanço das bestas. Estas desistiram e se ocultaram nas sombras. Não nos restou escolha, senão remover o bastão e atravessar para destruir as abominações. Em seguida, encontramos uma tumba que exibia a inscrição ananica “para o futuro rei de Runedar”. Continha um esqueleto de anão com uma coroa dourada, do qual conseguimos três anéis; um deles, algo obviamente mágico, um anel de salto, ficou comigo. Seguimos e combatemos quatro esqueletos de armadura e escudos. Havíamos avançado bastante, e tive a impressão de que estávamos chegando perto de nosso objetivo.

Chegamos a uma porta, que parecia indicar o fim do calabouço. Tem de ser aqui! Eu vi um pequeno corredor e fui checar em busca de alguma passagem oculta. Andei até o final, e quando me virei, ouvi um estalo! Havia ativado uma armadilha! Va fan culo!!! Me esqueci das armadilhas! Um lamina subiu como um raio mas fui rápido o suficiente para me esquivar. Se não, teria sido dividido ao meio como um porcellino! Nesse instante, ouvi um grande estouro surdo e só então notei que estávamos fora do perímetro do silencio. Com isso, senti uma onda de calor e vi chamas se propagando. Corri e vi que meus companheiros haviam sido atingidos por um feitiço de fogo. No final, minha falta de cautela havia me salvado da bola de fogo. Preparei a mira esperando que algum mago passasse pela porta, mas o que vi foi mais intimidador: um gigantesco zumbi com um mangual. Não obstante, não conti meu disparo. Acertei na base do pescoço e fiz com que ele recuasse de volta a sala. Com isso, foi a vez do mago aparecer. Okwaho havia planejado usar a zona de silencio contra o necromancer. De algum modo, ela consegui usar uma flecha para triangular o feitiço. O necromancer então usava pequenas miçangas de seu colar como bombas para produzir as explosões. Com uma mesura de mãos, o necromancer liberou uma sombra sobre nós e então fiquei confuso; minha visão escureceu e então eu vi a minha volta corpos!

Mutilados e desfigurados, dezenas! Todos dispostos como em uma tumba; e todos eles com rostos conhecidos. Entre eles, familiares e amigos. Velhos e novos: vi Zoraide decapitada, Ezio agonizando empalado em um grande lança e Okwaho tentando conter suas próprias vísceras que lhe escapavam por um corte no ventre. Essa sensação familiar veio e uma vez mais fui tomado pelo desespero. Sem controle sobre minhas próprias pernas, corri para o mais longe o possível. Corri, até topar com dois brutamontes. Os ogros zumbis devem ter dado a volta para nos cercar. Pude reaver meu controle e saquei minha pistola; eu não irei cair aqui! Recuando e disparando, derrubei o primeiro com um belo disparo na têmpora. Não houve sangramento. Apenas uma perfuração na massa pútrida, e então a besta caiu. O segundo me seguiu até a sala onde Okwaho lutava sozinha contra o Necromancer. Ele estava bastante ferido e não duraria muito tempo. Preparei o mosquete para dar o golpe de misericórdia, mas Lobo Cinzento foi mais rápida: com um ataque duplo, abriu a garganta do velho, que atingiu o chão morto. Missão cumprida!

Com a morte do mestre, o ultimo gigante simplesmente caiu também. Parece que o feitiço deixa de funcionar quando o patrono é morto. Vasculhamos cada canto do calabouço, que se revelou bastante extenso. Recuperamos uma riqueza considerável e mais alguns itens mágicos. Todos estávamos exaustos e provávamos da frustração e da perda de um companheiro valoroso. Ezio estava extremamente insatisfeito e irredutível. Não entendi exatamente o que o perturbava, mas ele resolveu que nos deixaria, sem mais explicações. Depois de tudo o que passamos e do tempo que estivemos unidos como um grupo... De qualquer forma, havíamos conquistado um grande desafio. E o sacrifício nunca é em vão. Deixo aqui minhas honras pessoais a Rhogar, o Paladino Draconato, Sentinela do Deserto. Abraçastes o vazio material, mas preenchestes vossa existência com a Luz a qual servistes. Riposa in pace...
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 11:49 am



Il 29 Maggio di 2016 (5ª Sessão)

Bottino del Morto
Assim que acabamos de vasculhar cada canto do calabouço, subimos avidamente de volta a superfície. As ruínas estavam cobertas pela escuridão tenebrosa da noite e toda aquela sensação perturbadora que a presença das aberrações provocava havia se dissipado; mas nenhum de nos achava aquele lugar exatamente aconchegante.

Trazíamos conosco todas nossas pilhagens, além da cabeça do necromante e das cinzas de Rhogar, que depositamos em uma urna. Nenhum sinal do imbecille do Ezio, além de seus pertences que haviam sido levados da carroça. Não consegui sentir pela sua partida, mas no fundo guardei rancor pelo descaso que demonstrou para conosco. Hmpf... Mais ouro para nós, invece! Alem de tesouro, recuperamos dos espólios três itens interessantes: Uma pedra roxa, capaz de armazenar feitiços, que ficou com Zoraide, um par de manoplas mágicas, que Okwaho passou a usar, e uma bolsa de armazenamento mágico, que guardei comigo. Lógico que seria eu a carregar as quinquilharias do grupo! Pelo menos a bolsa neutralizava todo peso e volume. De fato, muito útil!

Enquanto checava como estava Brego e me entretia com o funcionamento da bolsa, Zoraide fez um ritual e animou a cabeça morta do necromante. As feições vazias da cabeça começaram a demonstrar movimento e então uma voz rouca saiu da boca imóvel. Pudemos nos comunicar com a consciência do falecido e descobrimos com isso que o grande orbe que Ezio tentara violar servia para amplificar magia; e que o necromante era um servo de alguém chamado Agrinath, supostamente ‘aquele encontrado no lugar onde a sombras são eternas e a esperança não existe’. Interessante... E pouco conclusivo...

Dormimos na carroça e voltamos à cidade pela manhã. Lago Profundo estava mais movimentada do que quando partimos; vimos algum burburinho ao longe, perto da taberna e nos dirigimos àquela direção e paramos para conversar com um Dragonato Azul que encontramos. Contamos a ele sobre morte de Rhogar e entregamos as suas cinzas, para que fossem honradas a maneira de seu povo e para que sua família ficasse ciente da perda de um ente. O Dragonborn se mostrou consternado ao receber a noticia, mas prometeu passá-la à frente.

La Scimmia Fantasma
Continuamos para a taverna. Quando estávamos entrando, vimos um orc e um tieviling correndo para longe. De dentro da taverna, um anão bradava – Peguem-nos! Ladrões! – Vahg! Aquilo não nos dizia respeito, então simplesmente entramos e nos sentamos. Okwaho foi interagir com o anão que berrava. Segundo ele, os indivíduos haviam trapaceado em uma aposta de queda-de-braço. Nossa nada delicata dama se interessou pela competição e desafiou o anão; e venceu, sem muito esforço! Faturou sem moedas de ouro honestamente! Davvero, garota promissora! O anão saiu resmungando porta afora; E pela mesma porta entrou um parrudo orc.

Não por crueldade ou rancor, mas por mera força do habito, levei a mão à coronha da pistola. Realmente orcs não são necessariamente hostis, mas pela força bruta e inteligência limitada, são comumente empregados para fins ímpios. Parei de ouvir a conversa, focando minha atenção nos movimentos do orc e na espada gigantesca que levava nas costas; Quando notei, ele já estava na nossa mesa, e Okwaho lhe oferecia comida. Apresentou-se apenas como Fantasma; e como um fantasma, estava apenas vagando, em busca de trabalho. Disse que não tinha nenhum propósito, além de realizar um desejo de infância: domar e montar um dragão, de conquistar assim supremacia! E nos mostrou uma imagem que carregava sempre, de um guerreiro sobre um lagarto alado! Che bello sogno! O que mais poderia almejar um selvagem, afinal?

Tomei alguns momentos para rabiscar um projeto que desenvolvi ha alguns dias: Uma versão aperfeiçoada de minha pistola, com capacidade acrescida para seis projeteis e com estrutura mais resistente. Tem sido frustrante quando a arma emperra durante a detonação. Guardei os rascunhos para tentar uma experiência mais tarde.

Ao que se refere ao orc, em momento algum duvidei de sua capacidade. Meio-orc, alias! Não que faça alguma diferença... Pareceu-me um lutador poderoso; Precisamente preenchendo os requisitos do grupo. Fizemos uma oferta que ele não poderia recusar: Um quarto de todo espólio que o grupo obtivesse daquele momento em diante. Nada mais justo. Mas como era de se esperar, o seu brilhantismo fez-se presente: Ele queria que pagássemos uma quantia fixa pelos seus serviços. Combinamos o ouro no peso de cem moedas. Aceitou na hora, microcefallo. Quase me senti culpado, mas o infelice fez questão de refutar... A quantia que fazíamos por empreita superava impreterivelmente aquela soma; E aceitando aquilo, ele estaria reduzido a um servo, ao invés de ser um membro, um igual.

Re Delle Tenebre Sorge... e un Vecchio Amico
Agora mais relaxado, ainda que sempre alerta. Usufruímos da melhor fonte de informações que se pode querer em uma cidade como essa: o taberneiro. Harthal era seu nome. Ele nos falou de assuntos de Krigaros e do deserto, da morte do guardião da região e de encrencas corriqueiras. Harthal se prontificou a me indicar um alquimista e um bom ferreiro, como estava precisando. As garotas foram colher informações pela cidade, enquanto Fantasma me acompanhou na minha busca pelos mantimentos. O orc foi caminhando atrás de mim, com seu porte altivo e olhar intimidador, como um bom guarda-costas. As pessoas abriam caminho e desviavam o olhar enquanto passávamos. Que ótima aquisição ao grupo foi este Fantasma! Já cedo trazia bons resultados, como um bom soldato! Certamente iria me conseguir um bello desconto também! Hah!

Passávamos por entre as barracas do mercado, subindo uma ladeira suave em direção aos templos superiores, quando algo no ombro de um sujeito me chamou atenção. Um cano longo, levado por alguém com rosto conhecido, me pareceu: Bradley! Fui entusiasmado ao seu encontro e ele ficou surpreso. Disse que estava na cidade com seu grupo, após uma missão bem sucedida. Foi realmente muito bacana e ficou impressionado quando lhe mostrei meu rifle, que projetei sob os ensinamentos do velho Maddog. Disse que também estava hospedado na taberna de Harthal e antes de nos despedirmos, apontou a direção do herbalista e me presenteou com pedaço de material que, a principio, julguei ser marfim. Era um osso de tíbia de um filhote de dragão azul! Perfeito para meu projeto!

Chegando ao herbalista, vi um homem negociar com um velho esguio e franzino. O herbalista tentava forçar uma venda com preço provavelmente abusivo, não que eu entenda da cotação de ervas e poções. Mas pude reconhecer aquele tipo de comerciante ganancioso, ávido para lograr um cliente desavisado; E sei muito bem como lidar com essa gentalha. Fiz sinal para Fantasma ficar próximo e me aproximei do velho. – Buongiorno signor Hartric! Estou em busca de materiais realmente comuns: Salitre e enxofre. E se o senhor me fizer um bom preço, ganhará um ótimo cliente e levarei muitos produtos! – Tentei tratá-lo como um negociante, mas não passava de um estelionatário. Tentou me cobrar 90 moedas por dois pequenos frascos; depois subiu para 100 e ainda quis retirar parte do material. Estava com pressa e sem muita paciência, prestes a fazer Fantasma dividi-lo com sua espada, mas não precisávamos de problemas na cidade... Paguei as cem moedas, prometendo a mim mesmo que nunca mais seria ludibriado por um verme como esses. Daí, fomos ao ferreiro.

Garvik o ferreiro foi muito mais prestativo. Me atendeu cordialmente e concordou em deixar a forja em minha disposição se eu o auxiliasse com algumas pontas de flechas. Concordei com a ótima proposta e, depois do serviço simples, pude preparar uma boa quantidade de pólvora e bastante munição, usufruindo de bom carvão e metal. Esse sim era um profissional e certamente fidelizou um cliente.

Voltamos ao encontro das garotas, que não haviam desperdiçado seu tempo; Estiveram na presença de um sujeito muito rico, famoso por contratar toda sorte de aventureiros para seus desígnios misteriosos. Conseguiram alguma informação e um belo contrato para recuperar um pergaminho de ruínas ao norte. Recebemos adiantamento de 75 moedas de ouro para cada um, com exceção do orc, claro. Outras 75 moedas para cada com a entrega do pergaminho.

Comprei algumas poções e terminei os esquemas de meu projeto. Ao raiar do dia voltaria ao ferreiro. Acordei empolgado, comi algo rapidamente e fui à oficina de Garvic. Fui novamente bem recebido e prontamente comecei a trabalhar. Comecei pelo entalhe da coronha no osso de dragão. Que material maraviglioso! Quase não foi necessário lixar. Tomei a liberdade de caprichar nos relevos e adornos. Esse material não requer verniz ou qualquer impermeabilizante, então deixei seu branco natural. Em seguida, me concentrei nas peças mais minuciosas, nos mecanismos internos e em toda a estrutura metálica. O ferreiro dispunha de uma liga metálica da melhor qualidade. Preparei os moldes específicos e enquanto esfriavam, finalizei a raia do cano e as bordas do tambor. Na parte anterior da mira gravei o nome de minha obra prima, em homenagem a um grande bardo de outrora. Realizei os últimos acabamentos e finalmente montei a arma. Assim como minha pistola, essa arma comportava projeteis curtos de quarenta e quatro pontos de medida, mas com tambor reforçado e com circunferência mais exata. O cano, estendido e raiado a partir do tambor, garantia maior alcance e precisão. E a empunhadura da coronha ficou absolutamente confortável e firme. Chamei Garvic para assistir ao primeiro teste. Expliquei que aquele artefato atirava cabeças de flecha sem virotes e com extrema precisão. Apoiamos uma chapa de ferro no chão e então disparei. A arma cuspiu violentamente o aço, que transpassou o alvo, fazendo um furo perfeito no ferro e um estrondoso barulho! O cheiro de pólvora tomou conta do lugar e eu provei do sabor do sucesso! Que todos os meus inimigos tombem sob o potere de Ozzy!!!

Su Per La Montagna
Era hora de partirmos para cumprir a missão. Alugamos um barco com um condutor para nos levar até o lado norte do lago. Chegamos às cordilheiras e seguimos acima. O caminho estava confuso e não conseguíamos encontrar a trilha. Resolvemos nos dividir. Eu segui a leste, ate me deparar com os resquícios de uma antiga estrada. Disparei para chamar os outros, mas Fantasma não voltou; devia estava perdido. Okwaho mandou o lobo para encontrá-lo e logo ambos voltaram. Já estava tarde para continuar, então resolvemos acampar e continuar pela manha. Okwaho disse que Vant havia sentido cheiros de criaturas que nos espreitaram durante a noite, mas que não ousaram atacar. Seguimos a nossa trilha e logo chegamos ate um arco de pedra que revelava uma entrada subterrânea. Encontramos aqui nossas ruínas. Na pedra notamos algumas inscrições de anões: ‘ O Templo da Força, aquela que emprega ao anão a Força’.

Antes que entrássemos, Fantasma se negou a entrar antes de ser pago. Pensei em me opor, más Zoraide se precipitou e pagou as 100 moedas. O orc contou o dinheiro, claramente com muita dificuldade, guardou e entrou pela porta sem hesitar.

A típica arquitetura anã podia ser reconhecida naqueles túneis de pedra. Túneis ha muito abandonados, mas definitivamente não desabitados. Os encontramos na primeira sala que acessamos. Assim que nosso orc derrubou a porta, foi recebido por uma saraivada de flechas de seus pequenos arcos. Traiçoeiros e ágeis, vieram saltitando em nossa direção cinco criaturinhas verdes. Goblins são comuns nessas regiões montanhosas, pelo que saiba, mas estes eram mais resistentes do que qualquer um que já tenha enfrentado. Assim que acabamos de chaciná-los, analisei seus corpos e notei que estes eram mais parrudos, apesar da baixa estatura. Fantasma derrubou a próxima porta e passou para o próximo correndo. Nesse instante, uma onda de energia saiu da parede e nos eletrocutou severamente. Uma runa oculta havia sido ativada. O orc imprudente não se preocupava com armadilhas nem tampouco com inimigos. Mas todos em pé e conscientes.

Seguimos a um corredor longo com uma porta de pedra no final. Pudemos ouvi-los através dela. Okwaho abriu apenas ate a metade e Fantasma jogou uma garrafa repleta de fumaça para dentro. As bestas começaram a tossir e a tentar escapar da sala fechada, mas estavam encurralados, entre o martelo e a bigorna! Atiravam flechas e adagas, mas a cobertura da porta nos poupava. Okwaho tentou barrar a porta sozinha, mas tombou com uma serie de golpes de um goblin com escudo. Tive que arrastá-la para longe e aplicar-lhe uma poção. Assim que acordou, proferiu um encanto que fez com que espetos brotassem do chão de dentro da sala, dificultando a movimentação. Todos que tentavam sair para o corredor eram retalhados como galinhas em uma abate. Quando um maior saiu, disparei contra seu ouvido, fazendo-o recuar apavorado. Mais um e depois outro schifoso, em seqüência pulando para a morte. O ápice da batalha foi quando Fantasma agarrou um goblin e, urrando selvagemente, bateu com ele contra a parede, repartiu seu corpo ao meio e usou os restos com arma! Hahahahaha! Semplicemente splendido! Ele desferiu um arco como se brandisse um mangual, esmagando crânio contra crânio. O ultimo goblin morreu grunhindo e agonizando.

O feitiço de espinhos foi dissipado e a garrafa foi tampada, para que pudéssemos entrar e averiguar a sala. Não havia mais nenhuma passagem e parecia segura o bastante para que pudéssemos descansar rapidamente. Bloqueamos a porta e nos acomodamos no chão. Fantasma parecia satisfeito e exibia suas presas em um sorriso discreto – Meu nome é Groduf! Acho que vamos nos dar muito bem, companheiros!
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 11:51 am

Il 5 Giugno di 2016 (6ª Sessão)

Forsennato Massacro
Nosso descanso foi breve, mas suficiente para cuidarmos de nossas feridas e recuperarmos o fôlego. Fantasma, digo, Groduf, o grande destruidor de goblins, roncava em sono profundo no chão de pedra como se estivesse sobre um colchão de plumas. Foi despertado sem muita gentileza, levantou e já saiu pela porta, liderando a marcha pelos corredores de pedra. Como disse antes, ele não se preocupa muito em olhar por onde anda; e aposto que só identifica uma ameaça se for algo maior que ele que aparecer em sua frente. Ele avançava pelo corredor, quando uma gaiola de ferro caiu de cima, bem no lugar onde ele estava. Mas apesar daquele tamanho todo, ele é bastante ágil; consegui se jogar para frente e se evadiu. Tivemos que escalar a caspita da grade para continuar, mas não representou grande desafio.

Passamos por uma ante sala estreita e então atingimos um corredor de chão de terra batida. Achei estranho: Pareceu-me que os azulejos e lajotas do piso haviam sido removidos por alguma razão. Certamente uma armadilha. Instrui a todos que evitassem o meio e pisassem nas bordas do corredor. Groduf passou primeiro, sem problemas. Okwaho o seguiu, mas arrasto um paço mau calculado, destravando a armadilha. O chão se abriu e um fosso com estacas surgiu sob ele. Ela se atirou para frente com toda força e conseguiu se apoiar no chão firme do lado oposto. Foi então minha vez; Passei sem problemas, levando uma corda amarrada na cintura para ajudar Zoraide a atravessar. Okwaho arremessou uma outra corda para laçar Vowl, o que não deu muito certo: Quando foi puxado, o peloso caiu para dentro do buraco e uma das estacas lacerou seu flanco. Mas ele estava bem e conseguimos puxá-lo. Zoraide, como sempre, foi mais esperta: Cuidadosamente desceu para o fundo e veio andando em segurança. E ainda encontrou um saquinho de moedas no chão... Eh fortunata!

Como esperávamos, logo nos deparamos com mais schifosi. Recomeçamos o massacre, que se estendeu até alcançarmos uma sala com uma grande mesa central, algo como um refeitório. Lobo cinzento invocou uma vez mais o feitiço de espinhos sobre o chão, o que agilizou nosso serviço. Durante a batalha um Goblin caiu desacordado perto de mim. Vendo ele, me ocorreu que um serviçal nos viria a calhar no grupo. Talvez poderíamos até civilizar a criatura! Removi todas a sãs armas e então o amarrei e amordacei, prendendo-o ao meu cinto. Tive que ser ríspido com Groduf para impedi-lo de matar o meu Goblin. Esse orc é realmente brilhante no que faz, mas quando está no frenesi de batalha, sua falta de controle me assusta!

Nessa sala-refeitório, coloquei o Goblin sobre a mesa, ministrei uma poção de cura, pois estava bem ferido, e tentei comunicação. Enquanto isso, Zoraide encontrou uma gaveta falsa e tirou de dentro dela uma adaga e um pergaminho. Logo me animei, pensando que pudesse ser o que buscávamos, mas era um pergaminho comum, escrito na linguagem dessas bestas verdes. O Goblin não falava nem compreendia a língua comum, mas quando Okwaho falou em anão, ele pareceu reagir. Ele apenas compreendia, mas não conseguia falar. Após bastante violência e intimidação, e claro, muita persuasão e carisma de Zoraide, conseguimos fazê-lo cooperar. Disse que se chamava Zvarizvazig... zu Zwanzig... Ou algo assim... Simplesmente resolvi chamá-lo de Thrall, como o famoso líder orc. Levei ele no ombro até alcançarmos uma porta com outra armadilha, que Groduf acionou. Todos, com exceção de Zoraide, fomos atingidos por mais uma descarga elétrica. Coloquei Thrall no chão para que nos indicasse passagens e a localização de armadilhas. Passamos por onde parecia ser um arsenal, com diversas caixas de equipamento. Encontramos um escudo e uma armadura de torso que poderiam ser úteis.

Finalmente fomos levados ao local onde encontraríamos nosso objetivo. O goblin disse que encontraríamos uma criatura grande e hostil na sala do pergaminho. Ficamos em silencio e Zoraide fica invisível. Thrall abre uma pequena porta escondida e indica a entrada. Pouco tempo depois Zoraide surge com o pergaminho e com um certo pavor no rosto. Disse que havia uma abominação lá dentro; um homem feito de vários corpos.

Sontuoso Verdastro
Voltamos ao refeitório para analisar o pergaminho e Zoraide confirmou que era o que buscávamos. Era hora de partir. Thrall nos mostrou outro caminho para sair do calabouço. Antes de alcançar a saída, encontramos uma área que deveria ser um ambulatório ou algo assim. Lá encontramos alguns frascos de poções, que após algum testes confirmamos ser poções de cura. Finalmente deixamos o subterrâneo e caminhamos pelos pastos das bordas das montanhas, de volta ao barco. No caminho, conversamos com o goblin, e Zoraide, com sua aproximação amigável, conseguiu convencer Thrall a unir-se a nós como um funcionário. Prometemos ensiná-lo a viver no mundo civilizado, se jurasse lealdade ao grupo. Realmente, ela me persuadiu que seria melhor ter um amigo verdadeiro do que um escravo ansioso por cravar uma adaga em nossas gargantas durante o sono. A única coisa que me aborreceu foi o valor que ela ofereceu como pagamento: 100 moedas de ouro! A mesma quantia que pagamos a um combatente orc com uma espada de 2 metros! Ottusa ragazza!!! Mas confio plenamente em seu julgamento. Ela é, afinal, nossa consigliere!

Encontramos o barqueiro no local combinado e voltamos em segurança à cidade. Chegamos à taverna de Harthaw, que nos recebeu bem e que garantiu ter cuidado de nossa carruagem e de Brego. Enquanto descansávamos, as garotas foram visitar nosso contratante. Tomei esse tempo para conhecer melhor nosso novo amigo, e tive grandes idéias; Expectativas para seu futuro no grupo! Certamente, esse rapaz será notável dentre todos os goblins desta terra, se souber aproveitar as oportunidades que lhe são proporcionas. Seja sábio agora, Thrall Zvarzvazig!
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Re: Zandor pela Mira de Bartolomeo Beretta

Mensagem por Ygor Peluso em Qui Mar 23, 2017 12:00 pm

Il 26 Giugno di 2016 (7ª sessão)

Acciaio e Fuoco
Durante os dias que passamos em Lago Profundo, tive que encontrar alguma forma produtiva de ocupar meu tempo. As garotas visitavam constantemente nosso contratante; Ao que parece, ele havia deixado à disposição delas uma imensa biblioteca pessoal, o que certamente seria útil a ambas. Groduf passava boa parte do dia bebendo e se divertindo na taverna. Quanto ao nosso novo amiguinho verde, deve ter tido a melhor semana da vida. Já que iria trabalhar conosco, deveria desenvolver uma utilidade ao grupo. Por tanto, o matriculamos no templo, para que fosse iniciado como Clérigo. Como Zoraide pode me ajudar a perceber, seria melhor que eu o apadrinhasse. Paguei 300 moedas de ouro pela inscrição e tentei conviver mais com ele. Queria desfazer as más impressões que podemos ter lhe passado. E a partir de agora, deveríamos efetivamente ser amigos, afinal, sou seu Padrino!

Resolvi empregar o tempo livre em criar material para nos ajudar em nossas missões. Um dos problemas iniciais que tive que enfrentar foi a questão da atenção que meu equipamento estava chamando para o grupo: Quando disparadas, minhas armas produzem um scoppio muito alto. Não que me incomode, ma isso poderia se mostrar contraproducente dependendo das circunstancias. Pensando na reverberação do estampido de quando estávamos em corredores de pedra, imaginei como os batentes barravam o som. Isso poderia ser posto em pratica de alguma forma usual... Projetei um cano que poderia ser enroscado na ponta da arma que poderia abafar o som; Ao menos um pouco, imaginei. Quando terminei o projeto, lembrei-me da pedra encantada que submetia uma área a sua volta a silencio absoluto; Aquela que encontramos na masmorra do necromante! Acabara de entregar a Okwaho, que queria usar para algo que não me recordo. Fui correndo até ela, e pedi para tirar um fragmento antes que a usa-se. Peguei o fragmento e fiz um pendante com ele, envolvendo-o em uma corrente de metal. Não poderia desativar seu efeito, mas quando quisesse fazê-lo, apenas deveria devolvê-lo à bolsa mágica. Fiz, assim, meu Amuleto do Silencio!

Com o sucesso que havia atingido com o projeto da Little Ozzy, estava empolgado para experimentar novas possibilidades! Em minhas criações anteriores, dei mais importância à precisão dos projéteis, o que realmente pude obter. Contudo, desta vez pensei em algo mais, como posso dizer... Abrangente! Imaginei que se eu substituísse o projétil por uma capsula de fragmentos, poderia atingir uma área maior e diversos oponentes com um único tiro. Projetei uma arma com dois canos de boca levemente alargada e com dois gatilhos independentes. Tive um pouco de dificuldade para fazer a estrutura interna da culatra; a liga de metal que experimentei mostrou-se pouco maleável. Não fiquei tão satisfeito com o trabalho feito. Não se comparava com o esmero que havia dedicado à minha Perpperbox, mas certamente iria cumprir com a finalidade. Nem testei. Aguardaria para fazê-lo em combate.

Minha última criação me fez muito satisfeito! Desenvolvi um explosivo portátil e de fácil manipulação, para uso direto sobre oponentes. Com um cano soldado, pólvora negra aditivada e fragmentos de metal, criei uma obra-prima! E o detalhe mais especial estava no detonador: ao invés de usar um simples pavio, embuti uma pederneira conectada ao pavio, que descansava em uma canaleta. Com isso, bastaria apenas pressionar a pederneira para ascender o pavio, que não poderia ser apagado devido á proteção da canaleta. Perfetto, simplesmente!

Ao fim do sexto dia, estávamos prontos para partir novamente. Havíamos sido contratados novamente pelo mesmo anão para recuperar um artefato roubado. Precisávamos de dinheiro para comprar alguns equipamentos para nosso goblin. Depois de desembolsar as 300 moedas para a inscrição no Templo, estava praticamente fallito. Zoraide veio ate mim com seu papinho para tentar me convencer a ensinar alguns truques ao ferreiro em troca de pagamento.
Prontamente sai de perto e a ignorei ‘freneticamente’. Hah! Ela é realmente persuasiva! Tenho certeza que poderia fazer com que um paladino roubasse... Más eu jamais quebraria minha palavra. Ao receber meus ensinamentos do velho Maddog, jurei jamais passar o conhecimento para alguém levianamente. E provavelmente eu acabaria sendo caçado por Bradley...

Estávamos reunidos e prontos para sair; Apenas esperávamos por Groduf. Resolvemos buscá-lo no bar. Chegamos quando ele fugia pela porta, perseguido pelo dono do estabelecimento – ‘Ladrão! Peguem esse orc!’ – Zoraide furtivamente pegou a bolsa de moedas do orc, virou-se para o dono do bar e pagou a dívida, convencendo-o de que tudo não passava de um mal-entendido. Agora tínhamos entre nós um bufão de bar! Hahahahaha!

Gatto Nero
Partimos rumo á floresta, na casa do elfo que estava com o artefato que deveríamos reaver. Passamos pelo deserto e atingimos as bordas da grande floresta do norte. Enquanto caminhávamos lembrei que não havíamos comprado nada para nosso Thrall. Vasculhando meus pertences lembrei de uma cimitarra negra que havia conseguido com os elfos negros; Deveria servir ao pequeno por enquanto. Perguntei se alguém havia ficado sabendo de alguma nova a respeito da situação dos elfos, após a grande batalha. Zoraide e Okwaho disse não saber de nada novo, mas Groduf jurou que os elfos estavam queimando a floresta, como medida de resistência aos inimigos. Realmente não pude me convencer, apesar da convicção com a qual o orc relatava. Hmpf, devem ser os sintomas da dependenza da bere...

Já escurecia, então montamos acampamento. Dormia perto do fogo, com minha pistola sob o manto e ao alcance. Como queríamos manter a furtividade, instalei meu novo silenciador no cano. Despertei com o vociferar de Okwaho, anunciando um ataque. Bestas da escuridão rondava o grupo! Foi difícil para destinguir meu alvo, mas pude ver por entre os arbustos uma grande pantera negra com dois tentáculos saindo das costas. Movia-se incrivelmente rápido; Até parecia que sua imagem oscilava! Sim! Como uma miragem no deserto! Ou eu mirava, ou atirava; Então disparei minha pistola.

Não creio que tenha sido pelo silenciador que a pistola travou. Mas pelo menos pude ver que o aparato diminuía o estrondo consideravelmente. De qualquer forma, a luta seria bastante escandalosa, então não me preocuparia com barulho. Saquei o mosquete e disparei contra a pantera, acertando seu flanco. Foi quando notei a aproximação de mais duas panteras. Estavam nos acuando, bestie sagaci!

Okwaho e Groduf partiram para cima de uma das bestas, deixando eu, Zoraide e Thrall vulneráveis. Me coloquei á frente, sacando a minha nova criação: A Dispersora! Coloquei duas delas na mira e disparei. Cazzo! Parece que realmente não era meu dia: A maledetta da arma explodiu! Sabia que o trabalho de metal havia sido medíocre! A explosão queimou meu braço e alguns estilhaços me atingiram. A pantera da frente também foi atingida, eficientemente, devo dizer. Ao menos comprovei a funcionalidade da arma.

Fui severamente ferido pelos tentáculos das bestas. Atirei uma garrafa flamejante sobre uma delas e Zoraide espantou outra com uma ilusão. Enquanto isso, Groduf havia se distanciado da luta e disparava flechas com um arco longo, ao invés de desempenhar sua função de segurar o avanço das criaturas sobre nós. Sem apoio, desmaiei duas vezes, sendo reanimado por Zoraide e Thrall. Levantei furioso e explodia uma cabeça de pantera com a Ozzy e corri para o outro lado, longe da luta. Com a morte da segunda besta, quando atingi sua costela, a batalha terminou, já que a terceira havia escapado devido ao feitiço de nossa barda. A criatura deve estar correndo até agora...

As garotas estavam interessadas nas peles das criaturas, para criar algum tipo de capa... Eu fui averiguar os restos da arma explodida, mas nada sobrou além de um pedaço da coronha. Não iria servir para nada... Descansamos um pouco e continuamos.
Portare Questo Per Me
Seguimos pela floresta em absoluto silencio. Nos deparamos com dois elfos. Segundo Zoraide, um deles – o de cabelo verde - batia com as descrições do portador de artefato. Deveríamos distraí-los enquanto as garotas esgueiravam-se para dentro de casa do elfo, que estava oculta por entre os galhos de uma árvore. Antes que pudéssemos planejar, Groduf foi até os dois.

O orc tentou comunicar-se com os elfos, mas aparentemente não falavam o idioma comum. Pareciam muito surpresos... As garotas não perderam tempo e já estavam invisíveis. Mandei Thrall aguardar atento e fui dar apoio a Groduf. Aproximei-me sorrindo, falando em ananico. Parece que mesmo assim não podiam me compreender. Vi que tinha adagas na cintura e poderiam representar ameaça. Parti para o plano B – ‘Thrall, esses senhores não podem nos entender. Saia já daqui, pois vou explodir tudo’ – Groduf me ignorou totalmente. – ‘ Corra ou vamos morrer!’ – Sorrindo, tirei uma das minhas bombas de fragmentação da bolsa e ofereci a um dos elfos. Desconfiado, ele pegou. Com a bomba ainda na mão dele, ativei-a e sai correndo. Groduf pegou a bomba da mão dele e atirou em minha direção. Não creio que ele soubesse o que aquilo era, mas deve ter pensado que... Bene, não sei o que se passa na mente de orcs...

A bomba explodiu majestosamente. Fiquei orgulhoso! Ao menos um dos meus projetos funcionou perfeitamente! Não fui atingido por nenhum estilhaço e continuei correndo. Chamei por Thrall e seguimos para o local onde acampamos mais cedo. Logo depois nos reunimos e voltamos à cidade.

Groduf me encarava com uma feição de desapontamento, mas nada disse. Agora que parei para pensar, agi muito impulsivamente. Tem sido difícil para mim... Estou tentando ser frio e calculista. Mas não posso deixar que meus amigos sofram pela minha falta de ação. Fui direto para a estalagem, aprimorar meus projetos e beber. Paguei para Thrall o que deveria ser a sua primeira cerveja. Agora sim posso ser considerado seu Padrino!
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Ygor Peluso
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