O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

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O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Dez 01, 2016 12:17 pm

Um

Acordei naquele dia, como em qualquer outro. Meu pai está viajando com os demais guerreiros e deve voltar a qualquer dia. A feira do porto está tranquila, quando minha mãe, Petra, pede para buscar as ervas de fumo favoritas do papai. Uma tarefa simples.

Andando em direção ao Norte, enquanto colho as folhas, encontro Orim, um garoto que conheço da cidade, que as vezes é atormentado por ser menor e perder as brigas.

Assim que o vejo, minha mente fica estranha, uma névoa surge do nada, pareço ter visto outra pessoa que não está conosco, um braço de algum velho, bem enrugado, mas o que é mais estranho são os olhos, escondidos nas sombras eles brilham vermelhos, desafiadores e assustadores...

Pergunto aonde ele vai, ele diz ao Norte, simplesmente, disse que estava caçando. Estranho, ele provavelmente já teria pegado um dos coelhos que eu vi no caminho...

Seguindo nosso caminho nos deparamos com um de meus amigos, Johan, filho adotivo do ferreiro, ele está ferido, duas flechas perfuram sua carne. Um garoto o segue, e eu não penso duas vezes antes de ir para cima dele, e quando percebo estamos de frente um para o outro, armas em mãos. Matei... A primeira morte causada por mim. É estranho o poder e o medo que tomam conta de mim ao mesmo tempo. Senti a vida do garoto se esvaindo depois do meu golpe. Outro garoto passou por nós, mas nem o notei, ele estava correndo muito e eu ainda estava abalado com a vida que acabara de tirar. Orim foi mais cuidadoso, apenas feriu um segundo que vinha de perto, nem o tinha visto. Johan volta, e para minha surpresa, seu irmão, Rorik o estava caçando. Mas logo é subjugado. Orim cuidou dos ferimentos de Johan, e eu amarrei Rorik, o outro foi espancado por Johan.

Como se não bastasse isso, mais dois rapazes aparecem, um deles é filho de um Jarl de uma cidade vizinha, dá pra ver que ele tem dinheiro... Estão atrás do pai do garoto mais alto, bem mais alto por sinal. Como estamos indo na mesma direção, andamos todos juntos. A névoa aumentou, estranho... Depois de um tempo chegamos à boca de uma gruta, um riacho saí dela e parece que Johan tem q pegar água dessa nascente, vai saber o porquê...

Minha curiosidade aumenta, quero saber o que é o ser que achei ter visto, e que agora noto que está dentro dessa gruta, e para meu espanto, está devorando um bebê! Consigo me segurar diante de cena tão abjeta. E vou em frente.

Por quê? Por que decidi entrar, um pesadelo me acomete assim que dou o primeiro passo na direção do ser que me chama. Estou envolto em trevas e um grande lobo negro agora está em volta de mim, vejo meu rosto morto, meu pai e minha mãe, amigos, parentes. É desesperador e o ser ainda diz que nos matará antes do começo da noite, e nos acusa de matar seus filhos, eu não matei nenhum lobo! Que ser é esse? Um servo dos deuses provavelmente... Orim me puxa de volta à realidade, graças a Odin, quase caio nas palavras sedutoras da criatura. Alguns garotos entram e caem como eu caí. Que poder é esse!? O ser parece temer Johan, que o ataca e diante disso nos dá um pouco de coragem para fazer algo que talvez não ousaríamos. A escuridão volta, Orim é ferido, os outros também atacam e Johan dá um golpe definitivo. Quase não havia percebido que o pai do gigante estava lá também, mas ele morreu antes, pelo menos falou com o filho... Não foi uma morte honrada.

Depois que o pesadelo passou, descobrimos cenas ainda mais estranhas. Bebês! Ainda mal nascidos, jogados na terra, e um deles... Um deles tinha a marca que fiz quando matei o garoto, o mesmo corte na garganta e na testa. Despedacei-o sem pensar. Não me arrependo...

Foi um dia estranho e decidimos voltar. Ainda encontramos um grupo de patrulha atrás de uma criança, que tardiamente descobri ser a que o bicho estava devorando... Imagens repugnantes que se fixaram em minha mente. Ainda bem que os navios chegaram e tiraram minha mente disso, por hora.


Última edição por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:25 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por pp90 em Qui Dez 01, 2016 12:59 pm

Aqui não é uma quitanda!
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Dez 01, 2016 1:36 pm

Dois

Os navios estavam chegando, e muitas coisas aconteceram numa única tarde. Coisas que me mudaram para sempre. Gudam decidiu levar o corpo de seu pai para casa, o que era o correto a se fazer. Orim estava decidido a contar tudo para seu pai, eu ainda não achava uma boa ideia. Então eu e Johan levamos seu irmão Rorik e o outro garoto para casa dele. Não foi a recepção que esperava, com certeza. Sua mãe simplesmente o ignorou e foi cuidar do filho verdadeiro. Decidimos levar o outro garoto para o Skald da cidade. Talvez não uma das nossas mais brilhantes ideias.

Andamos em direção a sua casa, uma construção de um pavimento. Já de fora escuto uma canção numa voz suave. Entramos. No primeiro salão me deparo com uma mulher linda, junto com ela dois homens tocam os instrumentos da canção, e ela era a dona de tão melodiosa voz. Por um curto espaço de tempo, sinto-me enfeitiçado, mas isso passa quando eles saem desse quarto. Ela indica a próxima sala antes de sair, e uma voz grave nos chama.

Quando entro na próxima sala fico impressionado, tudo a minha volta é estranho e diferente. Vejo armas que nunca vi antes, armaduras estranhas a minha vista. Nas paredes e em volta estão espalhadas toda a sorte de ervas e animais, alguns vivos sem a pele, outros morrendo e vários secos, ossos compõem a porta que entramos que tem uma cortina translucida negra como a noite. Dentro não é diferente, as paredes são negras e a figura a minha frente combina perfeitamente com o ambiente a sua volta.

Não consigo ver muito dela, mas o que eu vejo me amedronta, ele deve ter notado, mesmo eu não deixando transparecer. Sua pele é extremamente branca e notavelmente sem pelos o que não é comum em nosso povo. Mas o mais estranho é seu rosto, que só vejo parte. Abaixo de seu nariz, a única parte normal naquele mosaico de caos está uma boca sem lábios com a parte interna da boca negra, provavelmente um tipo de tinta. Seus dentes são pontiagudos, como se fossem limados para um proposito. Eles se encaixam como os de uma fera.

Quando enfim tomamos coragem para falar algo, Johan pede para que ele trate dos ferimentos do garoto. Ele pergunta o que o daremos em troca do serviço, o que nos pega de surpresa. Sem nada para oferecer ele nos propõe que quando a hora chegar, irmos para o Norte. Lembro instintivamente do que nos aconteceu ao Norte, mas sem outra saída aceitamos.  

Depois do incidente vamos para o porto, tenho que entregar as ervas que saí para colher. Antes de chegarmos às docas encontramos Orim parado, olhando na direção dos barcos, mas sem nada específico à frente, noto que em volta há sangue no chão. Pergunto o que houve, ele deixa entender que falou com o pai, e que o Earl já sabe o que aconteceu, ofereço um chá na minha tenda e vamos nessa direção.

Entrego as ervas para minha mãe e preparo um chá calmante para Orim, mas antes que ele possa beber ouvimos sons de gritos do lado de fora e ele corre para descobrir o que é. Então o seguimos.

Do lado de fora, os três homens que estavam fazendo a patrulha na floresta na mesma tarde, começam a clamar terem matado a bruxa. E nesse momento o Earl decapita o homem que estava falando. Em minha mente temo que esse seja meu fim caso ele deseje o mesmo de nós. Depois disso o povo se dispersa um pouco e grandes fogueiras começam a ser acesas. O Earl segue em frente e fico meio sem saber o que fazer.

Depois de um tempo andando pela cidade, eu, Orim e Johan nos encontramos perto da grande fogueira que foi montada no centro da cidade. E alguns instantes depois vimos a mãe de Gudam fazendo o ritual de viúva, junto com as suas filhas. Várias pessoas entram na procissão e entregam cestos com oferendas, até uma escrava foi dada à matriarca. Orim segue-a. eu decido voltar para a barraca de minha mãe e ajuda-la. Johan fica no centro da cidade.

Depois de um bom tempo trabalhando, entro para descansar, e no meio da noite acordo com pessoas tentando me pegar. Consigo derrubar um, mas o outro me nocauteia. Quando acordo, percebo estar no Grande Hall. E Johan, Gudam e Orim estão aqui também. Olhando em volta vejo os detalhes do lugar que nunca tinha entrado antes. É belíssimo. Os grandes pilares de madeira, o trono esculpido, as mesas enormes e no fundo noto alguém preso por correntes. Mas algo mais amedrontador está no Hall. O próprio Earl nos encara, balançando uma espada, e nesse momento tenho certeza que morrerei. Ele a guarda, mas ele ainda pode me estrangular. Ele ri ante meu medo. E diz que queria ter matado a bruxa com as próprias mãos, que ela era sua mãe e que não devíamos ter feito o que fizemos, e por isso nessa mesma manhã nós nos “voluntariamos” para caçar com ele. E depois desse estranho acontecimento ele vai embora dizendo que tem que voltar para seu navio para sair oficialmente. Quando ele sai Johan vai olhar quem está preso nas correntes, mas logo volta.

Cada um de nós sai para nos prepararmos da maneira que conseguirmos. Pego um par de adagas extra. E vou para perto do navio do Earl, onde encontro meus colegas. O Earl sai do navio e diz que caçará e pergunta quem, entre os jovens sem braceletes gostaria de ir junto. Nós quatro nos “voluntariamos” e mais quatro rapazes também. Quando isso acontece, noto um leve sorriso nos lábios do Earl, e não acho que foi um bom presságio. Como esperava, é decidido que os últimos quatro que ficarem de pé serão os garotos que caçarão com o Earl.

Nunca tinha participado de uma luta dessa maneira. Nós oito lutaríamos entre si e os quatro que se sobressaíssem seriam vitoriosos. Eu e meus amigos ficamos instintivamente no mesmo time, e nos preparamos para o que viesse. A cada um de nós foi oferecido o primeiro dos dois escudos que podemos usar. E eu, numa tentativa de impressionar os oponentes, mas também por que se fosse para morrer hoje, morreria com mais prestígio que pudesse, abandonei o primeiro escudo, tendo apenas um até o fim.

O que pareceu durar um longo tempo, durou muito menos. Eles vieram rapidamente em nossa direção, e só no começo notei o que acontecia a minha volta. O sangue esquentou e me sentia muito bem, dava estocadas com minha adaga e me esquivava de golpes, até o primeiro que sofri, a dor só senti depois, mas percebi que tinha sido ruim quando não consegui mais movimentar meu braço direito por um momento. O machado de um dos rapazes entrou até tocar meu osso. Não tendo outra escolha larguei o escudo que me restava e usei o outro braço. Notei um tempo depois que o maior deles era muito mais forte, e que com certeza mataria qualquer um a sua frente, então foquei nele. Entre adagadas não muito efetivas levei o segundo golpe, um terrível corte no tornozelo esquerdo que me incapacitou de usar essa perna, me deixando mais vulnerável ainda. Os outros deviam estar se saindo bem. Depois de um tempo tive uma chance de perfurar a garganta de meu inimigo, como fiz com o garoto na floresta. Pena que não foi tão efetivo quanto queria. Mas os deuses estavam olhando para mim, por que quando ele me agarrou a adaga penetrou mais fundo. E enquanto morria, ele tentava dizer algo para mim... Mas antes que pudesse encontrar coerência em suas últimas palavras o próprio Earl entrou na roda e o finalizou com um único golpe. O que aconteceu em seguida foi inacreditável. Vi uma Valquíria, temível e imponente, mas extremamente bela, levando para o Valhalla o guerreiro que morreu a minha frente, o que significava que ele já era um homem. Nunca esquecerei essa cena.

Só depois que isso aconteceu percebi que a luta tinha sido pior que imaginara, Gudam sofreu um golpe terrível no braço e desmaiou, Orim não se feriu e deu belas flechadas entre os oponentes, Johan quebrou vários ossos com seu martelo. E em meio a isso conseguimos sobreviver.

Depois da luta, o Skald do Earl entrou para tratar de nossos ferimentos. E percebi ao longe o Skald da cidade, aquele mesmo da tenda escura, sorrindo, do alto de uma escarpa, enquanto acabava de balançar seu cajado, e depois descendo na direção da cidade. Apenas incitando minha curiosidade...
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 12:31 pm

Três

Depois da luta, passei vários dias na enfermaria do hall do Earl, os dias passaram de um modo confuso, tive muita febre e várias vezes o mesmo sonho. Via uma gema vermelha como um rubi, grande, e seu centro parecia ser líquido. Por vários dias só via isso, até que uma vez, vi Thor! Trajando um saiote de couro, seus cabelos ruivos ao vento, e Mjölnir em sua mão. Ele anda em direção da gema, e quando chega perto dela, dá um golpe incrível rachando-a e consequentemente fazendo-a explodir. Depois dessa passagem, apenas sonho com a pedra explodindo, e então acordo. Johan está ao meu lado, e claramente melhorou mais facilmente que eu.  Meu pai me visitou, fiquei feliz em vê-lo, afinal não o tinha visto desde antes da Raid.

Depois de um tempo uma mulher com vestes azuis e brancas que estava tratando de nós, chega e fala que estamos liberados. Mal ela sai, e Orim entra com um pacote em seus braços. Nós conversamos um pouco e ele mostra que ganhou um arco composto de seu pai, aparentemente muito bonito. Conversamos mais um pouco e sem ouvir a porta abrir, vemos ninguém menos que o Skald da cidade, com as mesmas vestes negras, entrar com o mesmo rapaz que pedimos para ele curar, ao seu lado, completamente curado, pelo menos fisicamente, e aparentemente mudo, porque não fala nada. O garoto se senta, e começa a tocar um tambor que ele tira das costas. Enquanto isso, o Skald começa a conversar conosco, mal notando Orim a princípio, mas as palavras que me prendem a atenção são as últimas, cobrando o favor que prometemos.  Ele também disse que o Earl vai anunciar a Grande Caçada esta noite, e depois sai.

Ficamos conversando durante um tempo e depois seguimos para o salão principal, lá percebemos que tem uma mulher aos pés do Earl, uma que não é sua mulher. Logo descobrimos que o Earl pretende mudar de esposa já que a antiga não está dando filhos para ele. A “ex-mulher” do Earl é linda, uma pena ela ter que morrer, mas enquanto pensava nisso e olhava para o lado, percebo uma movimentação no tablado, quando ela é trazida à frente e tem suas vestes rasgadas, mostrando seios muito bonitos. Antes que ela pudesse morrer, ela lembra que tem direito a um campeão. Enquanto ela passa os olhos sobre o salão, as pessoas se movem da direção, até que ela pousa o olhar numa região, e Johan não foi rápido o suficiente para se mover, tornando-se assim seu campeão. Ao mesmo tempo, o Earl Endrar anda na direção de Johan. Com uma raiva nos olhos encarou-o, mas Johan manteve-se firme e ficou-se decidido que quando todos os jovens retornassem da Grande Caçada, Johan lutaria com o próprio Earl para defender a sua ex-esposa, agora protegida de Johan. O barulho voltou, a comida rodou e de repente, quando estava tudo ao normal novamente, um silencio começa a se alastrar pelo hall.

O Skald novamente, duas vezes na mesma noite. Ele se dirige em direção ao Earl que só nota a tensão no lugar quando este o cutuca, fazendo-o ficar quieto. Depois de alguns instantes o Earl se levanta e anuncia a Grande Caçada, chamando todos os que vão tentar esse ano. Vários jovens são levados ao mio do salão por seus pais e algumas garotas também. O Skald fala novamente e fica decidido que nós escolheremos a prova a ser feita. Sem pensar duas vezes, digo em voz alta as seguintes palavras: “Vamos para o Norte em direção a Tuluum, e quando chegarmos lá, continuaremos ao Norte em direção ao reino de Hella!” Minhas palavras não poderiam ser piores para os outros que me ouviram. Todos ficaram calados, até mesmo o Earl, pena não ter visto o rosto do Skald nesse momento, tenho certeza que ele gostou de ouvir a própria sugestão. Meu pai vem perto de mim e deseja me ver quando voltar, ele diz que me encontrará no Valhalla, mesmo sabendo que isso pode ser difícil se perecer no reino frio de Hella.

A festa continua e decido ficar bêbado, bebi bastante e só lembro de acordar na manhã seguinte, com meu pai me dando uma espada curta que está na família a um tempo, fico feliz.

Eu e os garotos nos encontramos perto da beira da floresta, onde uma grande clareira coberta de brasas aquece o ar a nossa volta. Antes dela, existem diversos itens que podem ser úteis durante a viagem. E como imaginei, somos ordenados a nos despir e escolher apenas dois itens além do que levarmos da família. Eu escolho uma pele de urso e um saco com provisões para três dias. Os meus amigos escolhem seus itens e então devemos atravessar a brasa. Eu começo a atravessar mas paro perto da metade do caminho, ainda bem que Orim me puxou, mas Johan não consegue começar a atravessar, até que é forçado a ir.

Nós três decidimos ir um pouco mais atrás e pegar suprimentos na floresta, pois meu pai me avisou que novamente o Earl mandaria pessoas para nos matar. Não foi diferente... depois de acharmos um local bom para pescarmos e Orim construir um arco, somos acuados por dois homens a cavalo. Depois que eles acham que nós somos nós mesmos eles partem para a briga, um desce e vem na minha direção, depois disso não presto atenção no outro. Entre um golpe e outro conseguimos nos livrar de um, e o que tinha me atacado primeiro conseguiu fugir ferido, e quando olho para o lado, Johan tinha feito do que sobrou uma geleia, e começou a bufar perigosamente. Era o que eu temia, sua sede de sangue o consumiu e ele veio para cima de mim. A primeira coisa que pensei foi atraí-lo para a água, esfriar sua cabeça, mas sofri uns ataques no caminho. Com um esforço, eu e Orim conseguimos fazê-lo voltar ao normal.  Mas precisávamos sair daquele local, já era conhecido. Com o cavalo que sobrou troquei as vestes de Johan, depois que notei um terrível corte em sua barriga, que com certeza o mataria se ele não se esquentasse. Depois de andar um pouco, vemos uma fogueira com um homem vestido como os que nos atacaram, mas o fogo nos atrai. Ele pergunta por nós, e mentimos ser quem somos, eu ofereço umas ervas para melhorar da dor de barriga que ele está sentindo, deixando-o mais fácil de ser convencido. Mas quando Johan tenta ataca-lo por trás e erra, nosso disfarce vai por água abaixo. Sofremos um pouco, mas conseguimos acabar com ele. Tratamos nossos ferimentos da melhor maneira possível, e comemos um pouco.

Agora vou ficar de guarda por parte da noite, e só os deuses sabem o que nos aguarda ao Norte. Mas creio que Thor está comigo, e não falharei.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 12:32 pm

Quatro

Enquanto estava de guarda perto da fogueira, percebi o quanto Johan tremia de frio, cheguei perto dele e senti que ele estava com febre, apliquei algumas das ervas que tinha, mas não surtiram efeito visível. Estranho... A noite estava bem fria, sem lua, e a luz da fogueira iluminava pouco. Perto do fim do meu turno, pouco antes de eu pensar em acordar Orim, Johan se senta, de repente, quando o olho, percebo que não há brilho em seus olhos, e isso me deixa um pouco inquieto, Johan não é mais o mesmo, e não sei se isso é bom ou não.

Pergunto se ele está bem, ele diz que está com fome. Enquanto ele come o resto do jantar, peço para ver sua ferida, caso precise de um novo curativo, e para meu espanto, parece que não foi nada grave, fico quieto sobre o assunto, melhor que ele esteja bem.

Será que ouvi mesmo as folhas sendo quebradas? Só sei que logo em seguida Orim dá um urro de dor e levanta, mostrando uma flecha em sua perna. Levanto-me prontamente com a espada curta em uma mão, e a adaga estranha que encontramos na outra, ela parece mortal.

Três ou quatro rapazes chegam ao nosso acampamento, o líder, ou o que parece ser o líder é um rapaz filho de um pescador, como eu. Ele usa uma lança e um escudo, que pode ser útil para Johan depois que ele morrer.

O rapaz chegou e tentou nos intimidar a entregar nossos pertences por nossas vidas, claro que não aceitei, aqui não é uma quitanda, afinal de contas. Quase não percebi ele investindo em minha direção com aquela lança maligna, com certeza não teria mais pescoço se ele acertasse o golpe, esquivei-me para o lado direito dele e o cortei com as duas lâminas. Acabei olhando para o lado depois de um golpe no Johan, mas meu oponente também olhou. Tomei uma flechada na perna, mas só senti a dor depois.

Depois do meu golpe ele ficou esperto e esperou meu ataque, que veio logo. Agachei-me a sua direita, de frente pra lança e estoquei fundo com minha espada em sua virilha, e quando tirei a lâmina senti o sangue quente em meu rosto e meu sangue esquentou, mas mantive a calma no combate, ele estava terminado, caiu no chão quando me levantei.

Fui ajudar Johan que tinha derrubado um, mas tinha outro pronto para ataca-lo, mal cheguei e Orim, que tinha sumido, meteu-lhe uma flecha, ajudando assim, Johan arrebentar a perna desse oponente. A luta estava terminada, outro rapaz, com uma clava se ajoelhou para se render e eu cortei sua garganta, precisávamos de suprimentos que eles tinham.

O arqueiro fugiu, e o que sobrou com a perna quebrada foi designado por Orim a dar uma mensagem ao Earl Endrar, levando a cabeça do homem que matamos no acampamento.

Depois disso, dormimos e no amanhecer seguimos viagem para o Norte. No começo da tarde, chegamos a um lago que é ponto de encontro de viajantes e comerciantes, onde decidimos procurar botas e mantimentos. Encontramos um homem, já velho, que concordou em fazer as botas por um preço a decidir, que eu não descobri, já que achamos aquele grupo de garotas que também está participando da Grande Caçada.
Depois de alguma conversa com as garotas, eu e a mais velha e passamos a tarde sob as peles e conversando, foi uma ótima tarde. Ao anoitecer retornei aos meus amigos para comer e dormir. Esperando encontrar ela no futuro e pensando em como continuaríamos para o Norte, com a disputa que estava acontecendo no território ao norte de nós.

Mais do que nunca, precisamos da ajuda dos deuses para chegarmos ao reino gelado de Hella. Onde provaremos ser verdadeiros homens!


Última edição por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:06 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 12:33 pm

Cinco

Antes de dormir, as garotas que encontramos mais cedo se juntaram à nossa fogueira, descobrimos seus nomes, e que uma delas era famosa pelo o que aconteceu em sua infância, essa era Brida a Senhora de Cavalos.

Dormimos, eu dormi sem temer nada pela primeira vez desde que saí de Cair Duit, sem ter que fazer turnos de guarda e sem preocupações. Quando acordei começamos a decidir por onde íamos, Havrak deixou as botas como combinado e depois de um tempo, decidimos ir para Mjøsa pela estrada. Durante a viagem para o norte, Brida percebe outro grupo vindo na mesma direção que nós, mas que não está perto o suficiente para o vermos bem. Depois de algumas horas, avistamos a fortaleza de Mjøsa, ela é retangular com muros de pedra e torres em seus cantos, um fosso passa pela frente que deve ter em torno de 60m de comprimento. No meio desse muro existe uma porta de madeira grande, que também serve de ponte para entrar na cidadela.

Quando chegamos na beira do fosso somos abordados por um homem que está em cima do muro. Ele pergunta quem somos e o que queremos na cidadela. Eu respondo que somos apenas garotos querendo seguir viagem para o norte. A ponte baixa e entramos. Assim que acabamos de atravessar, um grupo de quatro guardas chega perto, o que falou comigo está entre eles, e é o único que tem a viseira de seu elmo levantada, todos estão muito bem equipados para batalha.

O que fala conosco pisca estranho, mas vai saber, pode ser apenas o sol batendo. Ele pergunta novamente o que queremos, Brida fala também e o guarda chega perto dela reconhecendo-a talvez. Depois de entregarmos nossas armas somos levados a uma grande construção no meio da fortificação. A cidadela não parece nada com Oslo.
Dentro desse salão, um velho jaz sentado numa grande cadeira, mas não é um velho qualquer, ele deve ter em torno de seus setenta anos, o que é mais do que qualquer um que eu me lembre. Ele tem cabelos muito brancos e seus olhos são extremamente azuis. Ele levanta lentamente e anda em nossa direção com a ajuda de uma bengala, sua única companheira de todo o momento, apesar da idade e dos movimentos fracos, seus olhos chamam muito minha atenção, por parecerem jovens ainda.

Novamente somos abordados sobre de onde viemos, quem somos, o que queremos. Com certeza esse velho é paranoico, e acha que somos espiões de Glåma, e não estava errado. Ele reconhece Brida e fala de sua mãe, mas eu não entendo o porquê. Depois de responder novamente que somos de Oslo, e vamos para Tuluum participando da Grande Caçada, e que só queremos passar por Mjøsa para chegarmos ao nosso destino, o velho comenta que não gosta do Earl Endrar e eu, com minha boca que preciso aprender a fechar as vezes falo que também não gosto dele.

Depois dessa talvez inocente frase ele manda nos prender no topo da torre, dizendo que vai arrancar a verdade a força de nós.

Somos jogados, os sete, numa sala pequena esperando o próximo acontecimento. Orim me empurra com raiva, mas eu nem revido, eu os estava representando, e fomos presos, deve ter sido minha culpa mesmo. Agora só o tempo nos dirá o que pode acontecer, e eu peço aos deuses que me deem sabedoria para agir corretamente.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:07 pm

Seis

Depois de um tempo naquela prisão, comecei a perceber suas pedras frias como a morte, o cheiro de podridão se infiltrava em minhas narinas, fazendo meu estomago se embrulhar. Ratos passavam de lá para cá, entre os ossos dos nossos antigos companheiros de tormento.

O sentimento de solidão era intenso, mesmo com meus amigos comigo, e as meninas que se juntaram a nós. Diante da morte certa nos distanciamos e isso nos fez mal. Após uns momentos Brida e Helga começam a bater no alçapão para chamar atenção dos guardas, e de fato conseguem. Um guarda diz que nós falaremos com o Lorde no dia seguinte. Eles nos trazem uma refeição que nos ajuda a esquentar o corpo. E depois disso, só a noite é nossa companheira.

Depois de um tempo lutando contra a insônia consigo dormir, e a manhã vem como um balsamo de calor, mas também me lembra que posso não ter um futuro muito longo a frente, que Odin me dê força, pois quero viver mais que mais alguns dias.

Depois de um tempo dois guardas apareceram chamando um de nós para ser interrogado. Prontamente me levanto digo que irei, e para minha parcial surpresa Brida também se levanta, eu digo que como eu os fiz serem presos eu devo ir, mas ela diz que acha que pode convencer o Lorde, eu pergunto mais baixo se ela tem certeza e ela confirma, enquanto isso acontecia Johan me puxa para trás e assim, Brida é levada escada abaixo e agora só me resta esperar o que ela disser quando voltar.
O tempo passa e nada acontece, nem mesmo gritos de dor eu posso ouvir, e temo pelo pior.

A “vida” preso não é nada fácil. Por onde olho o pensamento de morte paira sobre mim como uma tempestade, mas não deixo transparecer meu tormento.
Um tempo depois um dos guardas sobe novamente, chamando outro de nós para ser questionado, eu tento ir em frente, mas meu medo é demais para dar qualquer passo em frente. Eles escolhem Orim e isso me enche de terror, justo o mais fraco de nós, eu penso.

Os gritos são quase impossíveis de suportar, mas suportamos por nosso amigo, horas se passam e eles apenas aumentam até que param e um tempo depois Orim é devolvido para nosso quarto.

Vou em sua direção imediatamente e tento ajuda-lo da melhor maneira possível, faço ataduras em suas juntas para que fiquem no lugar e depois disso percebo que Fiora, uma das garotas, não está bem. Vou até ela, e percebo que ela tem uma febre, pego umas peles de Johan, que desde seu incidente não sente frio como nós, e a cubro para melhorar sua febre.

O dia passa e um tédio chega, quando vou checar Fiora novamente, percebo de Hella deu seu abraço e mudo suas peles para Orim, torcendo que ele melhore mais rápido estando com menos frio.

A noite é o domínio de Hella, e com ela vem o frio, o frio cortante e avassalador, que não perdoa e mata sempre que pode, graças aos deuses Orim acordou, fomos poupados essa noite. Mas os deuses sabem o que fazem e se estamos vivos talvez tenhamos um papel a completar em Midgard.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:08 pm

Sete

Com um tremor no chão, acordei. Enquanto olho a minha volta para entender o que aconteceu, vejo Orim e Johan perto da janela do quarto, Johan tenta ver o que está do lado de fora, eu suponho. Não passa muito tempo e ele pula no chão, como que para se defender de algo que não vejo. Depois vem o caos.

Eileen, que estava atrás dele, é lançada para longe, quando a parede toda é destruída por algo que bateu na torre em que estamos. Quando olho em sua direção, percebo que ela não viverá mais e deve estar sofrendo muito com as queimaduras em seu corpo. Onde era nossa parede é agora uma grande janela pegando fogo em algumas partes. Vou até Eileen e peço para Johan acabar com seu tormento. Ele é mais forte que eu.

Após esses segundos sem saber o que fazer, percebo que Orim pensa o mesmo que eu, aproveitar o buraco feito em nossa parede para pularmos para o andar inferior, podendo assim tentar fugir daquela prisão. O arqueiro vai na frente e pula, olho para trás e vejo que Helga está parada, novamente peço para Johan pega-la, e enquanto isso vou em frente, pulando no colchão do andar inferior.

No andar de baixo encontramos a porta do quarto que entramos aberta, vamos todos nessa direção e encontramos Brida. Descemos para o próximo andar onde vários armamentos se encontram numa sala, lá pego duas espadas curtas muito bonitas e aparentemente muito boas, ajudo Johan a vestir uma cota de malha e vamos embora para a cozinha, procurar nossos pertences.

A chegada à cozinha não é difícil, a torre está muito cheia de gente, e todos estão preocupados com seus afazeres. Lá começamos a discutir sobre o que fazer. Eu acho sensato tentarmos fugir pelo muro Norte, Orim acha que devemos lutar por Mjøsa para provarmos para o Lorde que não somos espiões, pode funcionar, mas acho que tem muitos riscos. Johan quer matar alguém e Brida não consegue se decidir. Em meio à discussão, somos interpelados por ninguém menos que o Lorde, cercado por alguns guerreiros vestidos diferente.

Ele olha para nós com o natural desgosto e Orim se prontifica antes de qualquer um de nós, perguntando o que podemos fazer. E assim começa nossa tentativa de recuperar a torre Nordeste. Antes de irmos até a torre eu vejo alguém que não esperava ver tão ao Norte, ninguém menos que Uthrengar, o jovem que conhecemos no misterioso encontro com a bruxa loba. Chamo seu nome e depois de um tempo ele me vê, ou apenas segue o som de minha voz. Fico feliz em vê-lo, além de lutar bem sinto que posso confiar nele, mais que em Brida e Helga pelo menos.

Começamos a ir em direção da torre Uthrengar chega antes de todos e no caminho levo uma flechada no peito, ainda bem que não foi funda, mas doeu bastante, tenho que cuidar dela depois. Continuamos e brida leva uma flechada, e de repente Helga pula em sua direção tomando assim uma flechada na garganta, atravessando a carne como se fosse manteiga. Eu e Brida arrastamos ela para perto da parede da torre e faço um curativo rapidamente, depois de dar uma erva analgésica para aliviar parte da dor. Sou sincero e digo que acho difícil sua sobrevivência.

Uthrengar começa a tentativa de abrir a porta da torre e depois de um certo esforço consegue, entrando logo em seguida. Quando acabo de fazer os curativos de Helga eu entro e lá dentro há uma luta acontecendo, alguns guardas de Mjøsa lutam com vários guerreiro de Glåma. O que os adultos chamam de júbilo da batalha deve ser algo formidável, pois numa luta contra alguns guerreiros já me sinto preenchido de vontade de lutar e meu sangue esquenta. Os inimigos estão numa escada que não consigo acessar por enquanto, Orim aproveita a distância e atira flechas contra eles, logo eles nos percebem e alguns vem em nossa direção.

Aí sim a luta começa, Johan e Uthrengar logo estão envolvidos corpo a corpo, Orim fica mais distante soltando flechas e eu vou de encontro a um inimigo, acerto-o, mas dificilmente lembro o que acontece enquanto luto, sinto cortes no meu corpo, que tenho certeza que doerão depois. Depois de alguns golpes um homem pula em minha frente, mirando seu ataque em meus amigos, eu não perco tempo e giro minhas espadas em sua direção, o primeiro golpe foi muito forte, e para meu deleite e espanto, corto a parte superior de seu crânio, expondo seus miolos.

Depois disso tudo fica borrado novamente e só lembro de ter ido de encontro a um inimigo na escada e em seguida tomar um golpe possante de escudo em meu peito.

Quando acordo, sinto meu peito doendo, minha perna direita dormente pois estava por cima dela. Olho em volta e todos os inimigos e guardas de Mjøsa estão mortos, são muitos corpos. Johan está de pé de frente para Brida perguntando se ela está bem, e tanto Uthrengar e Orim estão com expressões estranhas no rosto. Não sei por que, mas o semblante de Brida não me ajuda a ficar mais tranquilo. Johan de repente sobe as escadas e volta rapidamente para pegar seu martelo, subindo novamente. Ouço algumas vozes mas não consigo distinguir uma das outras. Uthrengar sobe em seguida e começo a ouvir gritos e barulhos de uma possível luta. Quando consigo ficar de pé novamente eu subo também, Brida ficou embaixo.

A cena que vejo não é nada bela, Uthrengar está ferindo um homem e uma menina bem novinha está no colo de Johan, ele me entrega a menina e eu tento acolhe-la da melhor maneira possível, e acho que é melhor descer para o andar de baixo, ela não precisa ver a cena da sala que estava presente.

Sento um pouco para descansar meu corpo, e faço unguentos para meus ferimentos. A menina está do meu lado quieta. Se ainda queremos limpar o resto da torre é melhor eu estar em melhores condições, e como sempre, peço a Odin que me dê forças para continuar nossa Jornada. O Norte nos espera e nada sabemos o que vamos encontrar, apenas o frio é a nossa certeza. Tento me confortar diante a esse pensamento, e me perco em pensamentos.


Última edição por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:23 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:09 pm

Oito, Nove

Depois de nos recuperarmos brevemente subimos a escada para o topo da torre. Lá encontramos um corpo de soldados de Mjøsa está lutando com vários soldados de Glåma pela posse de uma balestra. Logo engajamos em combate e como sempre fica difícil ver o que acontece ao redor. Logo estamos cercados, lutando pelas nossas vidas, os soldados de Mjøsa logo são subjugados, nos deixando em pior proporção. Lembro de ter cortado um pé de um homem, de ver Brida golpeando com seu machado, Orim usando habilmente seu arco e de Johan esmagando ossos com seu martelo. Durante a batalha levo um golpe terrível em meu é esquerdo! Uma parte da lâmina de um machado entra em meu pé, e o deixa cravado no chão da torre, tamanha violência do golpe. Perco um bom tempo e uma boa quantidade de sangue enquanto tento retira-lo do local, e parece que por destino dos deuses consigo tirar a tempo de ver um homem indo em direção de Brida que está perto da beirada da torre, pasma com o homem que está à beira de matá-la! Corro da melhor maneira que posso! O mais rápido que meu pé deixa e com um golpe certeiro abro as costas do inimigo mostrando suas costelas. Um dos homens consegue fugir pelo alçapão e depois de terminarmos o combate descemos, para achar meu amigo Uthrengar com uma adaga em seu olho!

Sua irmã está perto, desmaiada. Da melhor maneira que podemos, levamos seu corpo, aparentemente vivo e sua irmã para a torre central, lá vários homens são tratados de seus ferimentos e chegando lá também fico para receber cuidados.

Não sei que horas desmaiei, mas fico feliz por sentir meu pé formigar quando sou acordado por um soldado em minha frente. Ele me pergunta se consigo andar, tento faze-lo e consigo. Ele em seguida diz para ir em direção da muralha para me preparar para o ataque vindouro.

Saio da cozinha em que estava e vou na direção que fui ordenado, mas no caminho vejo o filho do lorde de Mjøsa dando ordens e percebo alguns cavalos saindo da fortaleza sorrateiramente, na hora percebo o plano dele e vou em sua direção falar se posso ajudar em algo mais além da carga que ele planeja. Na hora que ele ouve minhas palavras ele fica ao mesmo tempo irado por um moleque saber seu plano e espantado pelo mesmo motivo. E chamando outro homem, Ragnar, fala para me preparar junto com os outros homens que estavam sendo separados, mas antes de ir descubro que meus amigos não estavam mais na cidadela, aparentemente foram designados para entregar uma mensagem para Glåma.

Chego num grupo de homens que estão recebendo armaduras um pouco melhores que a da maioria, e depois de um tempo, saímos da cidadela por um lado mais distante de onde a paliçada está sendo reforçada e andamos na floresta até acharmos os cavalos selados que tinham sido retirados anteriormente. Escolho um cavalo do melhor modo que posso e monto na sela. Durante a madrugada trotamos em direção ao topo de uma colina coberta pela floresta, que ajuda a sermos camuflados, e dessa posição consigo ver uma linha inimiga ao longe, que deve atacar a nossa entrada da cidadela. Esperamos o momento certo até que Ragnar dá o sinal, logo após a linha inimiga atacar nossa muralha.

Descemos a colina em carga! Cada homem e mulher com a arma de preferência, muitos usam lanças para aproveitar a força do cavalo enquanto destroem fileiras de soldados inimigos como se fossem de manteiga, a ordem do ataque é linda de se ver, todos fazendo movimentos para não ficarem parados e é nesse momento que vejo meus amigos correndo em direção a mesma torre que estávamos a poucas horas juntos. Ao mesmo tempo vejo alguns cavaleiros de Mjøsa que estavam comigo, cinco se não me engano, correndo em sua direção em busca de alvos fáceis a pé. Galopo da melhor maneira na direção dos soldados para para-los, mas um deles ainda consegue acertar Johan em cheio com um martelo de batalha, Johan cai no chão e ainda é pisoteado por um cavalo antes que minhas ordens gritadas sejam ouvidas por eles e os façam voltar para a fileira principal do ataque. Nem acreditei que consegui fazer eles mudarem sua rota, mas consegui salvar meus amigos!
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:11 pm

Dez

Em meio a batalha o sangue satisfaz a terra sedenta por aquele que sempre cai nas boas batalhas, enchendo o ar de seu cheiro ferroso e forte, vejo muitas lâminas retalhando e cortando carne, malha, osso e a destruição continua. Olhando para o lado sobre o cavalo, vejo um homem fazendo um pequeno discurso sobre a matança e em meio dos golpes que dou meu sangue esquenta! E é mais do que jamais senti, não consigo e nem quero me controlar, entro nessa matança, destruindo quem vem a minha frente, pois ninguém fica na frente de Skäld numa batalha sem receber o beijo frio do aço, reconfortante para aqueles que buscam o Valhalla! Golpeio e golpeio novamente abrindo buchos e derramando tripas, o júbilo da batalha está comigo e é lindo, me levando fundo na massa de homens que apenas procuram um alvo, assim como eu. Não sei quanto tempo fico nesse estado de êxtase, mas consigo sair depois. E quando percebo, aliados matam aliados e inimigos matam entre si, nenhuma ordem tem poder aqui nesse momento, apenas o caos!

Esfrio minha cabeça e tento preparar uma estratégia para mudar o rumo desse combate que com certeza acabará em ruína se continuar assim. Procuro um cavalo perto para ter melhor visibilidade a minha volta e para alcançar mais soldados a minha volta. Vejo um a alguns metros de mim, mas não é tão simples chegar até ele com golpes vindo em minha direção. Um homem vem em minha direção com uma espada bem longa mas consigo atingi-lo primeiro ele vem novamente e por sorte de uma flecha que o acertou ele não consegue fazer o golpe tão eficaz, ainda assim ferindo meu ombro, consigo mata-lo depois de mais um golpe e continuo meu caminho até o ser, que pode ser minha única vantagem entre a vida e a morte nesse momento, outro inimigo vem golpeando com um machado, e não tenho tanta sorte assim, o golpe penetra em minhas costelas, mordendo o osso. Que dor lancinante! Mas é mata-lo ou morrer, e não é hoje que vou festejar nos salões magníficos junto com os deuses, preciso de mais nome antes, o homem só deixa seu nome quando morre, tudo é a reputação! Ela fica na história.

Outra flecha o atinge, e com essa distração consigo cortar sua barriga de um lado a outro, fazendo suas tripas caírem no chão, liquidando-o completamente.

Finalmente monto no cavalo e sinto meu pé doendo infinitamente, minha costela dói muito também, principalmente depois que o machado saiu do buraco que criou, deixando o sangue fluir livremente, reunindo forças de todos os lugares me preparo o melhor que posso e vejo o campo de batalha. Preciso fazer algo imediatamente, ou a derrota será nossa única recompensa. Me posiciono atrás das tropas e grito para que façam formação, mas não foi muito efetivo, reúno meus pensamentos por mais uns instantes e tento novamente, gritando mais alto, levantando no estribo do cavalo, apontando a espada para cima, me mostrando muito mais do que sou, mas adianta, pois quando grito:

“Guerreiros!
Avante a vitória, vamos deixar o próprio Thor
com inveja de nossa proeza, em formação!
Agora!”

Os homens ouvem e parecem sair do transe em que estavam e se organizam alguns de cada vez, mas isso já é ótimo. Aos poucos consigo cerca de cinquenta homens ao meu redor e grito para que avancem para a linha inimiga, e por falta de organização da parte deles conseguimos matar alguns, e quanto mais avançamos, mais homens engrossam nossa parede de escudos, mostrando do que os escandinavos são capazes!

Pouco a pouco avançamos num empurra-empurra de vida ou morte, cada homem mais próximo de seu companheiro de escudo do que com uma amante.
Os deuses são bons! O capitão inimigo toma uma flechada na garganta, desmotivando parte da tropa, e nesse momento, consigo acabar com a resistência inimiga! Os poucos que não morreram na última investida se rendem, mas não haverá misericórdia, e ordeno que matem todos.

O capitão pede que seja honrado pelo seu posto e pela ordem de cavaleiros que faz parte, e eu o deixo viver. E pergunta quem foi o que o derrotou, e sabendo que tirar o elmo não aumentará minha moral, e sim abaixar entre a tropa, o faço, pois numa batalha, o inimigo deve saber quem o derrotou.

Quando tiro meu elmo o capitão contorce o rosto por raiva e vergonha, um moleque o derrotou e ele diz palavras para tentar abalar minha moral, mas a minha moral é de ferro! Percebo vários homens do meu lado zombarem de ser criança, mas ainda assim os levei a vitória, e eu sei disso por enquanto, e terá o dia que os homens gostarão de estar sob a liderança de Skäld Thormunsson. Alguns homens me cumprimentam pela vitória e isso traz um conforto e um orgulho que não tinha sentido antes.

Olhando para o lado vejo uma movimentação e se não estou enganado, vejo um estandarte entrando na cidadela com as cores do Rei Wulfric. E só me resta esperar o que os deuses guardam para mim.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:12 pm

Onze

O exército do rei chegou onde eu estava, o líder, um homem branco como um fantasma, olhos vermelhos um verdadeiro monstro em pele de homem, ele chegou perto de mim, acompanhado com uma guarda pessoal, extremamente bem disciplinada, como o resto do exército. Perguntou quem eu era, e se eu tinha sido o responsável pela vitória da batalha, depois de responder seu breve interrogatório ele conversa com o comandante inimigo e rebaixando-o por perder para um garoto. Ele diz para que eu lide com o comandante e eu o mato.

Mais tarde um pouco, Svigmir, como descobri ser o nome do comandante do exército do rei, me chama em conselho com Thorvild, e me diz que eu devo ser a pessoa a fazer a trégua entre Mjøsa e Glåma, no momento digo que sim, mas fico pensando como farei tal feito.

Quando vamos nos encontrar com o líder do exército de Glåma, tanto Thorvild quanto Svigmir estavam no grupo de soldados. Chegando perto do ponto de encontro apenas eu e o líder inimigo chegamos perto um do outro e colocamos os termos na mesa. O líder de Glåma nega os termos iniciais e faz exigências, eu volto para conversar com Thorvild e Svigmir que me diz que quer a irmã de Thorvild a qualquer custo. E lá fui eu fazer as exigências ao inimigo. Que não teve como não concordar, mas que jurou me matar.

Decidi ficar o resto do dia sozinho, com meus pensamentos e ao entardecer Brida vem me avisar que temos uma reunião na construção principal. Chegando lá encontro o resto de meus amigos, e Thorvild está lá propondo que sequestremos sua irmã após o julgamento. Imediatamente eu, Orim e Johan falamos não, mas Brida infelizmente diz sim, e consequentemente isso me faz ajuda-la, ela salvou minha vida e eu devo minha vida a ela, pelo menos uma vez.

Decidimos ficar em Mjøsa até nossos ferimentos melhorarem e depois vamos embora para não dar na telha para os homens de Svigmir.

Thorvild nos disse que há uma cabana a noroeste da cidade, e é para lá que vamos.

Durante as duas semanas que passamos na cabana, chamo Johan para treinar um pouco de combate, e para o meu azar meu golpe perfura seu ombro e ele vem pra cima de mim, daquele jeito com fúria nos olhos e mesmo quando subo em uma árvore ele consegue arremessar um galho em mim que me acerta em cheio derrubando-me e deixando-me inconsciente. Só lembro de acordar na cabana e passar o resto dos dias repousando até irmos tentar a loucura de “salvar” Odra.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:12 pm

Doze

Eu e Brida nos preparamos para partir, arrumamos nossos cavalos e partimos na noite, com muito cuidado. Damos a volta na floresta pelo Norte para não ficarmos no caminho de nenhum batedor. Depois de um tempo chegamos onde queríamos e paramos os cavalos e continuamos a pé.

Chegando perto da torre vi Thorvild, e falei para Brida que ia até ele, quando cheguei perto e o chamei vi que não era ele, mas ele foi amigável e consegui joga-lo para cima de Brida para poder ataca-lo por trás, mas na hora que meu golpe ia chegar em seu pescoço ele viu e conseguiu escapar e assim começamos uma pequena perseguição.

Depois de um tempo conseguimos pega-lo mas não antes dele tocar o chifre avisando que algo estava errado. Escondemos seu corpo e esperamos o outro batedor, que Brida diz saber exatamente de onde vem, fiquei espantado com esse conhecimento, impressionante.

Decidimos fazer um tipo de armadilha para acertamos enquanto ele passava mas novamente não saiu como queríamos, depois de uma segunda leve perseguição, conseguimos pega-lo mas aparentemente fomos vistos pelos vigias da torre, e pelos sinais com certeza a cidade estava sendo atacada, depois de alguns instantes pensando falo para Brida que com a confusão interna poderíamos entrar na cidade sem sermos vistos, e assim fizemos e conseguimos entrar na muralha, eu cobri meu rosto para não ser reconhecido, fomos em direção a entrada da torre e Brida foi na frente para conversar com o guarda, depois de uns instantes que ela entrou com o guarda eu entro e vejo ela sendo agarrada pelo mesmo. Nos livramos dele e subimos as escadas para o segundo andar, e para meu espanto! Uthrengard fornicando com Odra e assim paro, estupefato.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:14 pm

Treze

Após um breve momento, consigo me mover em direção daquele que já foi um amigo próximo, mas que não sei como é agora e que ainda me amedronta de vez em quando. Me aproximo enquanto Brida sobe para o terraço da torre, e falo com Uthrengard que temos que liberta-la, ele pergunta o porquê e eu falo que Thorvild nos prometeu uma recompensa, e quando falo esse nome, ele me diz que seremos traídos pelo maldito, que ele apenas nos pediu para tirar a culpa de sua irmã e para sermos mortos em seu lugar.

Imediatamente falo para matarmos a vagabunda, coisa que eu já concordava antes mesmo de Thorvild colocar o mapa no meio da negociação. E no exato momento que falei para matá-la ela fala comigo, pedindo-me que ajude-a a ser salva e por algum motivo ela me convence a pelo menos não deixa-la ali, presa.

Brida desce para o mesmo nível que estamos e começa a soltar as correntes da parede. Falo para ela deixar ela lá pois fomos traídos, e Uthrengard confirma novamente o que ele me disse. Maldito Thorvild. Brida finalmente concorda que não precisamos leva-la como prometemos, mas que ainda vai ajudá-la a sair dali pelo menos.

Subimos as escadas em direção ao terraço, e lá brida dá uma corda para Odra para que a mesma desça o muro, ela amarra de modo desajeitado a corda na balistra e começa a descer. Eu falo para deixarmos ela ir, e que podemos voltar pelo portão na manhã seguinte, mas percebo que o risco de ser reconhecido é grande demais e então após Brida amarrar a corda de modo eficaz começo a descer para entrar na floresta. Logo alcanço a maneta e consigo pular para o chão entrando na floresta, Odra cai pesadamente com um lamento de dor que tenta mostrar orgulho. Quando começo a ver Brida e Uthrengard descendo sinto uma dor ardente em meu ombro e quando olho tenho uma flecha cravada atravessando-me, menos mal, a ponta não ficou dentro. Me escondo um pouco mais na floresta e logo meus amigos passam por mim correndo sem nem me ver.

Preparado para não morrer ali, corro na direção de me cavalo chegando ao mesmo tempo que a Senhora dos Cavalos e meu amigo morto chegam, logo subo no meu e começo o caminho em direção à cabana, que não é mais um lugar seguro, maldito Thorvild. Percebo que meus amigos vem logo atrás, mas não fico prestando muita atenção, até que quando olho não os vejo mais.

Parando meu cavalo e voltando devagar na direção em que estariam, olho o cavalo morto num formato estranho e Uthrengard carregando Brida no ombro. E aparentemente tudo estava mais ou menos. Continuamos nosso caminho para a cabana e para nosso espanto, ou não, quando chegamos lá vimos chamas.

Logo saí do cavalo e parti para o primeiro que vi, e vi Uthrengard fazendo o mesmo, vi que Johan estava engajado com alguns e não vi Orim, que ou está escondido ou morto, só o futuro pode dizer. Assim como se sairemos daqui vivos ou não.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:15 pm

Catorze

Em meio a cena de combate escolho meu alvo, um arqueiro que tem uma posição vantajosa em meio as árvores. Vou em sua direção o mais furtivamente possível, mas mesmo assim vou rápido, e saltando entre raízes e troncos de árvores consigo me impulsionar por cima do inimigo em um arco no ar, mirando em seu pescoço. E enquanto estou no ar acho ter ouvido um farfalhar de penas e o pio forte de uma águia.

Ele é ágil, me nota e consegue desviar do golpe mas deixa seu arco cair no chão, não perdendo tempo de pegar seu machado no cinto. Ambos ficamos prontos para o combate, que com certeza foi o melhor e mais perigoso que já participei até agora. Com minha adaga ataco e ele com seu machado, numa dança bela e mortal, sinto seus golpes e ele sente alguns dos meus, arfamos com o esforço. Tomamos fôlego e ele se prepara novamente, encostando seu machado em seu rosto e lambendo a lâmina mostrando ser um combate valoroso, lambo o sangue em minha adaga, e saco a outra da bainha. Gosto de ver a leve surpresa nos olhos de meu inimigo.

Em meio ao combate percebo que a tal águia está pousada numa árvore acima de nós e trás em suas garras uma cobra.

Ele vem para cima de mim, e me preparando e agindo mais rápido, invisto em sua direção tentando golpear com as duas adagas. Os golpes mordem o couro de sua armadura, e seu machado morde couro, músculo e ossos, travando meu rosto com a dor, mas com o júbilo da batalha, esquentando meu sangue e me dando mais vontade de lutar e vencer. O corte em sua garganta que fiz sangra um pouco e deve ajudar-me mais para frente na luta. Mas meu peito dói do golpe certeiro que cortou meu corselete.
Ainda prestando atenção ao meu redor noto que tanto a cobra quando a águia aumentaram de tamanho, e acho isso nó mínimo estranho, mas é mais importante viver agora.

Entre o cansaço que nos infiltra o corpo, ele para e pega um odre e bebe para se refrescar e descansar e depois de beber ele o arremessa pra mim e diz seu nome: Waulf Bösson e que me mandará para o Valhalla, bebo do odre e após devolve-lo pelo ar, também digo o meu, e falo que eu o mandarei primeiro para o grande salão dos deuses.
Ainda mais a luta continua, e um de meus golpes entra em seu corselete mas fica grudado enquanto continuo o movimento. Uma só arma dessa vez, e percebo que este adversário não é qualquer um, é um guerreiro valoroso e que consegue escolher liberar sua besta interior, exatamente como faz agora... Durante os golpes violentos que travamos consigo desferir um que entra fundo no braço e axila, destruindo a força daquele membro e fazendo-o tentar atirar o machado com a outra mão, mas ele me erra e assim ele fica desarmado, e sei que isso não o impede de me matar.

A cobra que estava nas garras dá águia se transformou num homem! E a águia continua tentando lutar com o mesmo. Visões estranhas num dia estranho.

Começamos uma dança mortal, cada um de um lado, sempre prestando atenção no outro, a vida dependendo de cada movimento do outro. A velocidade aumenta e durante essa ciranda percebo a investida que ele fará e imediatamente finto para engana-lo e vou direto em sua direção, mirando eu seu pescoço, mas ele me dá uma cotovelada e assim jogo a adaga que sobrou para minha outra mão e acerto suas costas onde estaria o coração e assim fico sem minha outra arma.

Nós dois desarmados continuamos, e enquanto ele vem em minha direção tento desviar-me e pegar uma das adagas, mas não fui rápido o suficiente, o cansaço bate forte. Ele não tem mais o apoio de um dos braços e cai no chão, eu fico em pé e vejo seu machado próximo de mim. Vou na direção da arma de modo rápido para não ser surpreendido, mas mesmo não sendo rápido o suficiente percebo que ele deita de barriga para cima no chão frio da manhã que se inicia e percebo que Waulf está em seus suspiros finais, e esse homem com certeza merece ir festejar como o grande guerreiro que é. Coloco seu machado em sua mão e a fecho com uma das minhas para que ele segure o cabo até que sua vida se esvaia. E nisso ele pega meu tornozelo mas logo solta e fechando a outra mão no chão e depois empurrando em minha direção ele diz para pegar.

Vejo o que ele me dá: é um anel em forma de trança de cabelo, muito bonito com detalhes e pedras preciosas e uma inscrição em runas escrito: Ulfberht

Logo em seguida pego uma das adagas e corto seu pescoço, e no fim ouço-o falando que busque meu caminho e chamando Valhalla.

Quando percebo que ele se foi ouço uma voz me pedindo ajuda e ninguém menos que o homem que tinha suas vísceras devoradas pela águia, que já foi embora. Ele me chama pelo nome em seguida e ando lentamente em sua direção. Quando chego perto, ele pede meu sangue e fico meio desconfiado do pedido, nunca vieram pedir sangue dessa maneira. Depois de alguns instantes espremo uma das mãos sobre sua cabeça e gotas do líquido vermelho ferroso o banham e magicamente seu bucho se fecha deixando-o como novo, e suas entranhas que estavam no chão viram cinzas!

Ele então pergunta o que mais quero, e digo que virar um homem é meu maior desejo! Ele diz que não pode me dar um bracelete, mas que pode me dar os meios para chegar a esse fim e assim me diz o nome: Thrallof, o único que voltou de Hel mas que não pode ser confiado e que é dito como louco por muitos.

Ele pega uma de minhas adagas e falando numa voz estranha faz uma inscrição aparecer na lâmina, mas não consigo ler antes que ele a jogue para o alto com um esforço mínimo para a distância que ela foi.

Após esse acontecimento o ambiente a minha volta começa a mudar, e dou passos receosos para trás, enquanto o céu e as árvores e tudo começa a ficar sem cor, apenas o homem continua normal, e da escuridão elas aparecem. Sombras com corpo de serpente e tronco de homem. Vindo em minha direção elas chegam e me seguram e me transportam pela floresta e por vales e montes e por nuvens e então apago.

Como se por apenas um instante de sono acordo, mas o local me é estranho, estou numa espécie de gruta, bastante quente e com uma espécie de labirinto com rios de fogo em volta. De repente ouço uma voz vindo de trás de mim, e quando me viro vejo um velho muito branco com roupas vermelhas, em seu peito uma insígnia, um cervo de frente com uma galhada tão grande quanto uma grande árvore e assim ele me pergunta como fui parar onde estava.

Falo que não sei, apenas acordei naquele local, eu digo que sombras de homens cobra me trouxeram para o lugar e então ele me diz que fui escolhido e que os próprios deuses me trouxeram para cá. Ele então pergunta o que estou procurando, e quando procuro o pequeno bracelete ele o mostra e ele pergunta como o consegui. Ele diz que apenas 333 anéis existem e que eu devia estar honrado de estar na grande forja de Ös.

Digo que o ganhei depois de derrotar um guerreiro que descubro ser seu filho, após ele me indicar o caminho que devia ir e o que fazer.

Descendo as escadas chego numa outra ante sala, com uma porta enorme de madeira, completamente preenchida por detalhes, joias e inscrições. Um homem numa túnica e uma foice em sua mão me diz onde devo escrever. Assim esculpo meu nome e as portas se abrem. Na próxima sala dezenas dos mesmos anéis estão colocados e coloco o meu e percebo as portas se fechando e o homem da foice me mostrando por onde ir. Desço mais alguns níveis e para numa grande sala com outro rio de fogo ao fundo e lá o homem me dá um saco com uns fragmentos cinzas que preenchem a grande caverna e diz que eu devo encontrar os outros ingredientes para forjar minha própria arma.
Saindo da caverna me deparo com uma grande escarpa e uma cidade abaixo e em volta de mim apenas água, a imensidão do mar que atrai o nosso povo em mais e mais aventuras.


Última edição por Felipe Savino em Qua Jun 21, 2017 1:03 am, editado 1 vez(es)
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:16 pm

Quinze

Sinto o frio da montanha em meus ossos, ele morde como um cão raivoso, mas eu o espanto da melhor maneira possível. Da minha posição vejo a cidade a Sudoeste e ao longe, depois de uma floresta, um porto no extremo Sul da ilha. A melhor coisa a se fazer é tentar alcançar a cidade, e assim tento achar um caminho para baixo.

Depois de um breve momento acho uma trilha, mas esta acaba num desfiladeiro, portanto devo achar uma maneira diferente de descer. Por uma parte menos íngreme da montanha começo a descer até encontrar o chão. Ando um pouco até que ouço um assovio, chamo pela pessoa, pedindo ajuda, dizendo que estou perdido. O assovio para e depois de chamar novamente apenas sinto uma lâmina em meu pescoço. O homem, que percebo pela voz, diz para ficar parado e começa a me revistar, já digo onde está a adaga para tentar mostrar que vim em paz. Ele está impaciente e põe meus braços para trás e me amarra.

Seguindo em frente como ordenado ouço passos de uma segunda pessoa, e não é tarde antes de ouvir uma voz mais grossa. Sou amarrado numa árvore de costas para o acampamento que é feito durante a noite. Eles me dão um pouco de peixe e acabo dormindo por exaustão. Quando acordo com eles me cutucando continuo a viagem, dessa vez vendado com um pano branco, até chegar a cidade que tinha visto da montanha. Ouço barulho de gente, como se fosse uma feira e sou levado para uma construção com piso de madeira. Lá sou ajoelhado e retiram minha venda, podendo assim ver pela primeira vez quem tinha me prendido. Um homem com uma barba cheia e provavelmente seu filho.

Estou diante de uma salão de lordes, extremamente bem esculpido, repleto de detalhes e nomes de pessoas gravadas em todos os lugares, muito bonito. Muito bonito também é o que vejo em seguida, uma mulher ruiva, vendada com um pano vermelho e mostrando algumas feridas sob os olhos, ela veste um vestido de couro vermelho, tem uma tinta nos lábios e nas unhas também vermelhos e tem nada menos que um colar com a grande pedra vermelha que tanto sonhei, nem acredito quando a vejo. Ela também tem brincos, anéis nos dedos e nos cabelos e braceletes nos braços. Ela está sentada ao lado de um jovem, talvez mais novo que eu um ou dois anos. Suas vestes são de excelente qualidade, e provavelmente muito caras, pois percebo a tonalidade dos tecidos que são difíceis e raros de se achar.

Assim como os homens que me acharam, o Earl da cidade me pergunta como eu cheguei à ilha sem ser visto. E novamente, explico que vim de uma maneira que nem eu entendo, pelas sombras de um homem através de florestas, nuvens, pedras. Imediatamente me chamam de bruxo, coisa que não sou e após tentar me explicar de novo a mulher diz que eu posso estar falando a verdade.

O homem que me trouxe perde a paciência com o Earl que não parece querer me matar e vem pra cima de mim, quando a mulher da pedra se levanta e bate um cajado no chão, fazendo o homem cair de joelhos instantaneamente. Depois de mais conversa fica decidido que ficarei sob a guarda justamente do mesmo homem que me achou, Erik é seu nome eu descubro, e que devo trabalhar para poder me sustentar e continuar meu caminho.

Fica concordado com Erik que toda a produção de minério e forja que eu fizer é dele, em troca de sua hospitalidade. Logo começo a treinar na forja e a minerar na grande mina da cidade. O trabalho é difícil mas consigo perceber meu corpo se transformando para aguentar o trabalho pesado, e assim fico 1 semana em Meera, da Ilha de Merak, trabalhando para me tornar um artífice, pois só assim conseguirei forjar minha Ulfberht.

Essa primeira semana se passa e durante o trabalho ouço sinos. Pergunto para Erik o que isso significa, e ele me diz que problemas, invasores na ilha. Ele me dá uma faca, e assim armado, faca e adaga me junto aos homens para achar os invasores. Theresa, que descobri ser o nome da linda mulher ruiva, vai junto e ouço um nome familiar, Thrallof, que só depois lembro do homem cobra me dizer ser aquele que voltou de Hella. Ele pede a hospitalidade como já recebeu antes, e de tributos que estão com ele. E para minha maravilhosa surpresa, ninguém menos que meus amigos estão com ele! Eu os chamo feliz, mas parece que eles não estão felizes em me ver. Johan vem na minha direção, e é tarde demais que percebo o soco que acerta meu rosto com eficiência. Fico chocado! Não esperava isso, enquanto estou feliz em ve-los comigo eles estão com raiva. Percebo que Uhtrengard nãos está com eles e quando pergunto ele diz que ele morreu, e ainda por cima por uma adaga minha! Absurdo! Tento continuar a conversa com eles, mas por mais que eu explique a verdade eles não acreditam em mim. E assim com meus amigos me odiando voltamos para Meera. Fico na casa de Erik como estava antes e só amanhã saberei o que pode acontecer.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:18 pm

Dezesseis

Os acontecimentos na grande forja de Ös parecem ter acontecido a muito tempo. Ser chamado na cidade, respondendo ao chamado do próprio Ardmond. Foi me dada a escolha de perseguir minha busca pelos segredos de Ulfberht, e deixar meu bracelete para trás, ou percorrer o caminho inicial e deixar as forjas para trás.

Fui mandado para as terras ao sul, onde o clima é mais quente, os homens menores e mais escuros, onde as escarpas encontram o mar e grandes construções se erguem da terra.

A primeira parte da viagem é chegar a Oslo e de lá partir, entro num drakkar de guerra, capaz de levar 50 guerreiros, sua proa e popa são ligadas por metal, na trave que quebra as ondas do mar, sua amurada é vermelha e ele cavalga as ondas com facilidade.

Os homens do navio me tratam por mestre, e a rotina é tranquila, tenho uma tenda para mim, e todas as minhas necessidades são supridas perfeitamente. Depois de alguns dias de viagem, quase chegando no destino final, acordo quando um velho entra em minha tenda. Ele tem a pele cor de cobre, com o peito nu e vestindo uma saia que chega até os joelhos, usa também uma bota de cano longo, o que chama a atenção são seus cabelos, brancos como a neve, e repletos de adereços de metais diferentes e madeira. Por mais diferentes que sejam ainda tem uma simetria no modo como são arranjados.

Pergunto o que ele quer, mas ele apenas ri e começa a mexer numa tigela que está em suas mãos, ela fumega por causa do frio e da chuva forte que está caindo, e quando retira a mão de dentro ela está vermelha, como se molhada de sangue. Chego perto para perguntar novamente o que ele quer, e ele me empurra com mais força que imaginei, o que me faz cair no chão sem ar, com o peito doendo bastante. Ele logo salta sobre mim agarrando meu pulso com aquele liquido vermelho, tento me soltar, mas como que por alguma bruxaria não consigo desgrudar meu braço do chão. Luto para sair mas me esforço a toa, rapidamente ele prende meu outro braço no teto da tenda e meu pescoço no chão. Percebendo que não conseguirei sair dali, espero o que vai acontecer.

Ele se senta sobre meu peito e começa a passar o líquido vermelho em meu olho direito. Pelos deuses, como dói. Como se as presas do próprio Fenrir estivessem cravadas em mim. Por maior que seja a dor não desmaio e só não controlo meus gritos. Bendita tempestade que ajuda a abafa-los. Quando ele para de colocar a tinta em meu olho, algo visivelmente pior acontece, com uma ferramenta parecida com uma colher, o homem retira meu olho e começa a come-lo. A dor é muita, mas não chega aos pés da maldita tinta vermelha. Ele ri loucamente e diz que meu olho é saboroso. Como se não bastasse, tira uma pedra vermelha como um rubi de um bolso, coloca na boca e depois a enfia em meu globo ocular. Não há limites para a dor dessa noite? Como se não bastasse ele ainda raspa a lateral esquerda de minha cabeça e me marca com algo pontiagudo.

Quando ele finalmente cede a alguma de minhas perguntas, ele diz que é um presente da própria montanha... Tinha que ser... Ele sai da tenda, me deixando sozinho contra a impaciência de tentar me soltar. É em vão. Esgoto-me e o sono e exaustão ganham a briga, me fazendo dormir.

Acordo com meu braço caindo do teto da tenda. O capitão me chama perguntando se está tudo certo, dizendo que sentiu um cheiro de queimado. Logo digo que foi um acidente com meu cachimbo, e peço que traga um balde com água da chuva da noite anterior.

Quando encaro meu reflexo no balde, percebo a extensão das feridas causadas a mim. O olho que nada via na noite anterior agora vê. Como se com uma camada ou véu branco, filtrando tudo que vejo. E também uma tatuagem acima da orelha esquerda. Duas runas, que quando sobrepostas elas significam: Sacerdote de Berthal. O grande Balder, o grande Ferreiro divino.

Saio do navio quando este aporta em Oslo. Andando pelas docas vejo a banca de meus pais, minha mãe está com alguns clientes desagradáveis e assim vou nessa direção.

Percebo que estão discutindo com ela, reclamando de produtos, chego para acabar com a discussão, dou um olhar duro para os clientes e depois de alguns minutos as pessoas se dispersam. Minha mãe fica feliz em me ver, mas as noticias não são felizes, meu pai for morto pelo Earl, de maneira desonrosa e isso me dá raiva, maldito seja. Ainda descubro que outros relacionados a nó também sofreram. Minha mãe me diz para sair da cidade, ela não é mais segura para mim, desde que saí. E pra melhorar a velha bruxa, a loba-velha voltou.

Quando acalmo minha mãe e deixo ela dormindo, saio de casa e para meu espanto encontro Uthrengar em minha porta. Abro meus braços para abraçar meu amigo que não vejo a muito tempo. E assim sou recebido por um golpe, e outro quando tento sair de perto. Pergunto o que houve, por que está agressivo comigo, ele diz que eu o ataquei, eu digo que não. O próximo golpe me leva ao chão, e outro vem em seguida, mas me esquivo e volto outro em sua garganta, derrubando-o em ar. Levanto e pergunto novamente o que há. Ele só responde com raiva. Meu amigo não está lá comigo. Apenas uma coisa pode mostrar pra ele que não sei do que está falando. Depois que ele me entrega a minha adaga a muito perdida pelo homem-cobra, eu a guardo e ele me pergunta o que tenho comigo. Pego meus minérios e para meu espanto há um anel com eles. Ele diz que é isso que procura e então entrego para ele.

Abaixo meus braços e digo que ele pode fazer o que quiser comigo que não vou reagir. E então ele percebe que digo a verdade. Parece que tenho meu amigo de volta, e dessa maneira posso seguir viagem para longe daqui, para as terras ao sul, em busca do mestre artífice.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

Mensagem por Felipe Savino em Qui Mar 16, 2017 1:21 pm

Dezessete

O mar estava revolto, Njord deve estar com raiva. Não só ele, como Aristeus meu capitão. Sebulba também, o imediato, um homem de cor totalmente preta, provavelmente uma tinta estranha. Logo era meu turno de ficar na gávea, atento aos domínios do deus do mar. Além da amurada, ao longe no mar, avistei uma tempestade se aproximando, e Thor estava batendo com Mjolnir, pois seus raios cortavam o céu, como as garras de um urso cortam a carne. Com oitenta dias no mar, minha barba estava esbranquiçada com um gosto de sal, minhas narinas já não sabiam o que era o ar das montanhas, puro, aqui é tudo sal.

Enquanto esperava o jantar ficar pronto um dos escravos da cozinha, já bem velho e com uma tal de Maldição de Apolo, seja lá quem for esse, se aproximou de mim. De cabeça baixa e com uma voz tímida, como um escravo deve ter, perguntou se eu o ajudaria a ir para o Valhala. Eu disse que apenas a morte em batalha leva ao Valhala e que as chances de isso acontecer com ele era baixa, ele até pediu para eu treinar ele e alguns escravos, mas é Aristeus que deve decidir isso, tentarei lembrar de falar com ele sobre o assunto.

Logo após essa pequena conversa, peguei meu guisado para jantar e fui até Sebulba mostrar a futura tempestade. Ele respondeu como sempre respondia, na sua língua estranha que nada entendia, mas ele pegou a ideia quando apontei para as nuvens negras. Subi para a gávea e acabei meu jantar que começava a ficar diluído com as primeiras gotas da chuva que vinha. Anoiteceu enquanto via a noite ficar mais negra que as cavernas dos anões, trovões me deixavam surdo. Sebulba cantava em seu idioma enquanto a tempestade rugia, logo o capitão grita para mim, ordenando para que ajudasse a segurar a corda da vela de espicha. Desci prontamente e pus-me ao trabalho. Que força tive que colocar em prática! Parecia que puxava uma corda contra Johan, saudades de meus amigos, mesmo que eles achem que fiz algo contra eles... Entre devaneios lembro-me que preciso de força e em meio aos trovões faço uma prece a Thor, cantando uma música de mar típica de minha terra. Aqui eles não entendem minha língua e as vezes minha memória é o que me lembra de casa.

“This will never end
‘Cause I want more
More, give me more
Give me more…”

A tempestade não dava brecha, o vento cortava qualquer roupa que estivéssemos usando, os marinheiros pareciam aterrorizados, o escravo de mais cedo segurava uma corda sem força alguma, enquanto meus músculos queriam romper minha pele. Grito para ele que está é sua chance de ir para o Valhalla, que essa é sua luta! Ele tira forças de minhas palavras e segura firmemente a corda. Continuo cantando e percebo que minha voz superou a do negro, quando este avistou retumbante trovão, de um relâmpago que ferveu o mar a alguns metros de nós. O som foi ensurdecedor, o próprio Thor deve ter batido no mar com seu martelo. Mas isso apenas me deu mais êxtase! Gritando cada vez mais alto os outros marinheiros começam a seguir meu ritmo. As cargas caem de suas amarrações com o vento violento e imperdoável que ruge ao nosso redor. Sebulba não consegue continuar no timão após um ferimento, e nenhum sinal do capitão. Não penso nem por três segundos! Amarro a corda da vela e corro para o timão. No caminho vejo o capitão, com os olhos injetados de puro terror. Olho ferozmente para ele, injetando coragem em seu ser, e continuo para o timão. Sorte a minha que um escravo tinha esfregado muito o primeiro degrau, por medo de chegar perto de Sebulba, pois só por isso pude manter meu corpo sem cair quando uma das caixas cai sobre mim, cortando meu rosto perto de meu olho vermelho. Antes que as sombras me puxem, um braço agarra meu braço e me levanta, enquanto ouço uma voz que parece um trovão ressoando, “Hoje não.” Ele disse. Quando levanto meus olhos para ver quem me ajudou, um homem enorme, ruivo com uma barba grossa. Depois de me levantar, olho para frente novamente e ele já não está lá. Dou uma gargalhada, grito o nome do deus do trovão, e corro para o timão que estava girando como louco.

Logo começo a controlar a embarcação e começo a ter certeza de que Thor está me testando! Mas hoje não! Hoje eu vivo para batalhar mais e alcançar o Valhalla! Continuo com a música, repetindo-a sempre para dar ritmo aos marujos. Alguns minutos controlando o navio, e entendo porque Sebulba mudava tanto a direção do leme, só assim para navegar com as ondas, em um navio que não as corta. Lembro que o núbio, como o capitão o chamou uma vez, era o único que não perdia para mim nas brincadeiras de luta no convés, quando passávamos o tempo quando as velas não era enfunadas pelo vento. E agora ele estava atirado no convés, desacordado, sendo jogado de um lado para o outro, como uma boneca de trapos que talvez a irmã de Uhtrengar tivesse.

Enquanto cantava meu brado de fúria contra a tempestade, meu ode a Thor, e tinha na mente as lembranças de meus amigos, ele veio, imperdoável, o raio de Thor atingiu a vela de bombordo e ela irrompeu em chamas! Gritei para Giorgio, um dos marinheiros que fiz amizade a bordo, para que subisse na escada do cordame do mastro para avaliar a situação. Enquanto ele subia eu continuava avaliando nossa situação. Com a vela em chamas, precisávamos dos remos e logo gritei em comando, já que o capitão estava em choque logo abaixo de mim. Os marujos logo foram aos remos e ganhamos maior estabilidade. Giorgio sinalizava para mim e sabia que ele precisava de ajuda, todos os que estavam com coragem suficiente para estar no convés estavam acompanhando meu brado, e parecia que a tempestade mantinha um ritmo como o de nossa canção.

O cansaço tomava conta do meu corpo, mas minha vontade era de ferro, e era ela quem mantinha meu corpo de pé e com forças. Segurava aquele timão como se ele fosse uma amante indo embora, os músculos continuavam querendo rasgar a pele que os detinha, e nesse momento vi a onda. Não, não era uma onda. Era um monstro, como aqueles que os marujos falam. Pois nenhuma onda poderia ser daquele tamanho, mais alta que nosso navio. Da melhor maneira que pude, manobrei o navio para que saísse tangenciando a onda, como as focas fazem quando estão perto da costa. Não foi como eu queria, mas não foi o pior possível, a onda bateu na lateral do navio, mas este estava um pouco inclinado para a saída da onda, então ela nos virou de lado por alguns segundos apenas, segundos aterrorizantes. Giorgio prendeu a perna na escada de cordas e quebrou a coxa, exibindo o osso branco, lavado do sangue pela chuva. Ele precisava de ajuda.

Logo o capitão apareceu, querendo me empurrar para que ele tomasse controle do timão. Eu sabia que ele não tinha a minha força, mas ele era meu capitão e se eu não fosse ajudar Giorgio, estaríamos todos fadados ao domínios de Njord. Assim que ele tomou o timão, desço as escadas e vejo Sebulba preso ao navio apenas pela disposição de algumas caixas amarradas no convés, talvez eu pudesse salva-lo, mas é ele ou a vela.

Corro para a escada do cordame quando um cansaço absurdo me toma, ouço a voz de meu pai, dizendo que hoje não era o dia de minha morte, que eu devia continuar, me dói lembrar dele e não saber o que o Jarl fez após sua captura.

Chegando no topo posso avaliar a situação da vela, precisa ser cortada, e para isso precisa ser esticada, e daqui de cima só um contrapeso pode fazer isso. Olho para Giorgio com sua perna quebrada, ele é um marujo, alguém que tem o mar como verdadeira esposa, ele sabe o que estou pensando.

Mostro minha faca e aponto para a vela, ele entende. Amarro a corda superior da vela em meu braço, num aperto forte e pulo. Eu sei que Giorgio conseguira cortar a vela a tempo e amarra-la.

Dor.

Muita dor.

Um líder não lidera apenas pelo medo ou pela força, mas também pelo exemplo. Enquanto meu braço é esticado e meu ombro estala pelo puxão da corda, eu penso em Thor, em Odin, em Balder o grande ferreiro, e em Njord, caso eu vá para seus domínios. Eles sabem que está é a maior batalha que já lutei, e assim, recebo a escuridão.
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Re: O Diário de Skäld Skarsgård Thormunsson

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